Advogado é morto com sete tiros no RJ

O advogado Amílcar Humberto Farias Leite, de 53 anos, foi assassinado com sete tiros durante a madrugada, quando chegava à sua casa, na Rua Santa Sofia, zona norte da cidade. A mulher dele, Cleide de Lima Rodrigues, de 30 anos, assistiu ao crime da varanda do apartamento. Leite havia telefonado para a mulher, e contou que sofrera ameaças de morte. O principal suspeito do assassinato, segundo a polícia, é o capitão-de-fragata reformado Nilo Mendes Figueiredo, que discutiu com Leite numa reunião de condomínio.Leite havia participado de uma assembléia de moradores do apart-hotel Real Residence, em Copacabana, na zona sul. Figueiredo é síndico do prédio e o advogado representava oito condôminos. Durante o encontro, eles teriam discutido por conta de uma ação que tramita na 26.ª Vara Cível, em que o síndico é acusado de desvio de verbas do condomínio. Figueiredo, então, teria ameaçado o advogado e recomendado que ele tomasse cuidado depois que deixasse o prédio.Assustado, Leite ligou para a mulher e narrou a conversa. Segundo Cleide, seu marido disse que se sofresse algum atentado, o síndico deveria ser responsabilizado.O advogado foi morto quando se preparava para entrar no prédio em que mora. O Fiat Pálio prata que ele dirigia foi cercado por três homens em duas motocicletas. Eles dispararam contra Leite, que morreu na hora. Cleide estava na varanda e viu o momento em que o marido foi assassinado.A polícia considerou o depoimento de Cleide "esclarecedor e contundente". "O crime está praticamente esclarecido", afirmou o delegado titular da 19ª Delegacia de Polícia, Ronaldo Aguiar. Para o delegado, a contratação de um homem suspeito de assalto e seqüestro para ser segurança do prédio é indício de que o crime foi premeditado. "É sintomático e nos faz suspeitar da conduta do síndico", disse Aguiar. O segurança foi preso há algumas semanas pela Polícia Federal.Figueiredo foi convocado para prestar depoimento ainda de madrugada. Ele negou o envolvimento no crime, garantiu que a reunião no condomínio foi tranqüila e contou que era colecionador de armas. O apartamento dele foi revistado por policiais da 19ª DP, que encontraram 18 armas. Duas pistolas foram apreendidas e serão submetidas a exame de balística, para saber se as balas que mataram Leite partiram delas. O delegado Ronaldo Aguiar vai convocar os moradores do apart-hotel para confirmar se houve a suposta ameaça de Figueiredo contra Leite.

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