Advogado é morto com tiros de fuzil

A execução do advogado criminalista Joanin del Sant, de 42 anos, em frente à sua casa, no bairro nobre Ribeirânia, causou preocupação e redobrou a atenção dos policiais de Ribeirão Preto. Del Sant foi morto com três tiros de fuzil. Outros 22 disparos atingiram sua caminhonete. O crime ocorreu cerca de dez minutos depois de a vítima ter saído da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), no centro. Uma granada, que não explodiu, foi lançada na carroceria do veículo. A polícia investiga se esse crime tem relação com o atentado, a granada, feito contra um delegado no início do mês. Hoje, outras duas granadas foram apreendidas na cidade. Os dois casos podem estar ligados com o Primeiro Comando da Capital (PCC).Del Sant acompanhou o depoimento de João Paulo Alves da Silva, de 21 anos, preso na tarde de ontem e que confessou sua participação no atentado ao delegado do setor de Patrimônio da DIG, Paulo Pereira de Paula, no dia 4. Ele também cometeu dois latrocínios, e está preso temporariamente por roubo. O delegado Fernando Gonçalves de Oliveira informou que o advogado estava com medo, e que não pretendia defender João Paulo. "Acabou o depoimento, fomos para destinos diferentes e pouco depois ele foi assassinado". Outro delegado, Samuel Zanferdini, acredita que Del Sant tenha sido vítima de uma emboscada.O delegado Odacir Cesário da Silva, titular da DIG, acredita na ligação entre os dois casos. João Paulo Silva teria dito que os passos de várias autoridades (policiais, juízes, promotores, delegados) tinham sido vigiados, inclusive citando a rotina de alguns policiais. "O crime organizado quer atingir pessoas importantes na cidade, e o João Paulo disse que foi procurado pelo PCC para praticar o atentado contra o delegado, e que as armas também eram do PCC", informou Odacir da Silva.Outros componentes tornam a história mais complicada. Del Sant já foi vítima de atentado há alguns anos, e o Ministério Público suspeitava que o advogado, que defendia traficantes, negociava armas. Através do depoimento de João Paulo, a polícia de Ribeirão Preto prendeu hoje mais dois homens - Asdrúbal Pereira Marques dos Santos, de 27 anos, e Reginaldo Tadeu Camperoli Júnior, de 24 - por roubo, porte de armas e formação de quadrilha. Com eles estavam duas granadas, munição, duas pistolas e um revólver. "Ainda falta localizar fuzis e submetralhadoras", diz Oliveira, já fazendo a ligação entre os casos. A polícia já tem três nomes de participantes no atentado ao delegado De Paula.

Agencia Estado,

25 de abril de 2002 | 17h59

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