Divulgação
Divulgação

Advogado no Tocantins escreve poesia e juiz responde em versos

Caso de indenização a motociclista vira ‘duelo’ da Língua Portuguesa no Estado; também inspirado, magistrado aceita recurso

Celia Bretas Tahan, Especial para o Estado

08 de julho de 2015 | 03h00

PALMAS - O advogado Carlos Antônio do Nascimento, ao representar um motociclista acidentado, entrou com recurso na 4.ª Vara Cível de Palmas, no Tocantins, contra uma seguradora. Para não pagar o seguro obrigatório, a empresa havia alegado que a ação deveria tramitar em outra comarca, já que o acidente aconteceu em Pugmil, a 110 quilômetros da capital. Mas esse não foi um recurso qualquer. Inspirado, Nascimento apresentou a petição em forma de poesia. Não menos inspirado, o juiz Zacarias Leonardo também usou versos para responder, aceitando o recurso.

O magistrado contou que decidiu escrever os versos porque a petição foi muito bem fundamentada. “Fiquei tocado pela situação.” Embora ainda não tenha publicado nenhum livro, o juiz escreve textos desde a adolescência, mas prefere prosa e crônicas. “Poesia é raro.” 

O juiz disse que não será fácil usar novamente a inspiração para escrever uma decisão. “Não consigo fazer de forma mecânica. É preciso tempo. Se fosse frequente, redundaria em prejuízo ao processo judiciário.” 

Segundo a Diretoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Tocantins, o advogado se baseou em pedido de habeas corpus do ex-senador Ronaldo Cunha Lima, apresentado em versos. Nascimento disse ainda que quis valorizar a Língua Portuguesa e as formas literárias, sem deixar de seguir o Código de Processo Civil nem ofender a outra parte do processo.

Processo. O motociclista sofreu acidente em 2010 e ficou impedido de trabalhar. Em junho de 2013, entrou com pedido de indenização de R$ 13,5 mil, referente ao seguro obrigatório. Agora, o processo terá prosseguimento em Palmas.

No recurso, o advogado escreveu: “Senhor Juiz / O autor sobre o evento sete vem falar / Que lesado foi ao acidentar / Por isso, procurou onde a demanda ajuizar / Preferiu o domicílio do réu sem vacilar / Sendo competência territorial pôde optar (...)”

O juiz respondeu: “Não pode ser acolhida a exceção / Acertado pontua / O juízo competente é do domicílio do autor ou do local do fato (...) / Navega tranquila a seguradora sob o benefício da destreza / É preciso colocar na espera ponto final / Por isso, sem mais delongas, porque não sou poeta / Firmo de logo a competência do juízo da capital / É aqui que se deve resolver o quanto o caso afeta”.

Mais conteúdo sobre:
PalmasTocantins

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.