Advogado-geral da Casa cede ao pai a defesa de 'fantasma'

O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, defendeu na Justiça uma ex-funcionária da Casa que o Ministério Público Federal acusa de ser "fantasma". O nome de Cascais ainda aparece como advogado na ação - que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região -, mas ele diz tê-la deixado em março.

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2011 | 00h00

Quem vai substituí-lo é seu pai, Alberto Cascais Meleiro, que afirmou ao Estado "trabalhar junto" com o filho. Na ação, o Ministério Público pede que a ex-servidora Amélia Neli Pizzato devolva cerca de R$ 93 mil aos cofres públicos. A denúncia foi aceita em setembro de 2010 e o processo foi aberto. Meleiro disse não tê-lo visto ainda.

Amélia Neli foi lotada no gabinete do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), de 2003 a 2009. Segundo a denúncia da procuradora Anna Carolina Maia, nem ex-chefes de gabinete do senador sabiam quem era ela.

Em depoimento ao Ministério Público, a ex-servidora diz que fazia "pesquisas na internet" e arquivava documentos para o gabinete, mas não apresentou nada que comprovasse o que disse. Cascais diz ter atuado no processo "por amizade, porque ela era sogra de um colega".

Amélia era sogra de Douglas de Felice, então assessor de Renan e hoje no gabinete de Eunício Oliveira (PMDB-CE). Douglas, porém, diz que se separou de Amélia e não tem contato com a família.

Concursado desde 1995, o advogado-geral não vê "nenhuma incompatibilidade" em defender a servidora: "A questão não está no Senado, quem vai julgar é a Justiça." Próximo do presidente José Sarney (PMDB-AP), ele chegou a assinar uma ação em nome do Senado para impedir que o Maranhão retomasse o Convento das Mercês, doado à família Sarney.

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