Advogado nega ligação entre seqüestros de Diniz e Olivetto

Os ex-seqüestradores do empresário Abílio Diniz, os irmãos argentinos Humberto e Horácio Paz, não teriam qualquer vínculo com o grupo que manteve o publicitário Washington Olivetto em cativeiro por mais de um mês. Isso é o que afirmou ao Agência Estado o advogado dos irmãos Paz, Héctor Trajtenberg, que disse ter dúvidas sobre esta conexão. "Já passou mais de uma década entre um caso e outro. Acho que não deve ter nada a ver", afirmou o advogado.Os irmãos, inicialmente presos no Brasil, foram enviados à Argentina no ano 2000 através de um tratado de assistência penal recíproca entre os dois países. Pouco depois de chegar, obtiveram o direito a saídas transitórias de trabalho. Desde o ano passado os irmãos Paz estão em liberdade condicional.Segundo Trajtenberg, um dos Paz foi condenado a uma pena de prisão de 23 anos, e o outro a 25 anos. Atualmente, os dois irmãos, na faixa dos 40 anos de idade, decidicam-se à construção civil. Trajtenberg sugeriu que a situação financeira do Paz é difícil: "hoje em dia as coisas estão complicadas para qualquer um na Argentina".GuerrilhaOs irmãos Paz possuíam vínculos com o Movimento Todos pela Pátria (MTP), um grupo de esquerda, que foi comandado no passado pelo ex-líder guerrilheiro Enrique Gorriarán Merlo. Nos anos 70, Merlo foi um dos guerrilheiros mais famosos do país pela sua elevada capacidade militar. Logo após fugir da Argentina, foi à Nicarágua, onde tornou-se rapidamente em um dos comandantes da coluna sul do exército sandinista.Nos anos 80, Merlo foi o responsável pelo atentado que causou a morte do ex-ditador nicaragüense Anastácio Somoza, que estava exilado em Assunção, Paraguai. Em 1989, Gorriarán Merlo voltou à Argentina de forma clandestina, onde preparou um ataque ao quartel militar de La Tablada, argumentando que havia sido necessário como ação preventiva de um suposto golpe de Estado que estava sendo preparado pelos militares. Na época, Gorriarán Merlo ficou conhecido como "o Rambo da esquerda", por causa da violência com a qual atacou o quartel. Em 1995 o ex-guerrilheiro foi detido no México e enviado para a Argentina, onde atualmente está condenado à prisão perpétua.

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