Advogado pede quebra de sigilo bancário de pai e tios de Bernardo

Escutas indicaram que familiares de Leandro Boldrini se mobilizaram para sacar dinheiro antes do bloqueio dos bens do médico

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2014 | 20h12

PORTO ALEGRE - O advogado Marlon Adriano Balbon Taborda pediu que a Justiça quebre o sigilo e obtenha informações sobre a movimentação das contas bancárias do médico Leandro Boldrini e de seus irmãos Paulo e Vilson desde que o corpo do menino Bernardo Boldrini foi encontrado, no dia 14 de abril.

Representante da avó materna do garoto, Jussara Uglione, Taborda acredita que a eventual comprovação de saques reforça a tese de que o assassinato do garoto teve motivações financeiras. O advogado revelou ainda que uma pesquisa em cartórios mostra que a madrasta, Graciele Ugulini, transferiu dois automóveis e um imóvel para irmãs entre a data do crime e a denúncia oferecida contra os suspeitos pelo Ministério Público, em 15 de maio.

Gravações de telefonemas feitas pela polícia com autorização da Justiça e divulgadas por veículos do Grupo RBS no fim de semana indicam que familiares de Boldrini se mobilizaram para fazer saques em 25 de abril, quase ao mesmo tempo em que o Ministério Público obtinha o bloqueio dos bens do médico.

Órfão de mãe, o garoto Bernardo, de 11 anos, vivia com o pai e a madrasta, em Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul. No dia 4 de abril ele foi levado por Graciele a Frederico Westphalen, a 80 quilômetros da cidade, a pretexto de consultar um benzedeira. Câmeras de vigilância captaram imagens da madrasta e uma amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, saindo com o garoto e voltando sem ele. Dez dias depois o corpo foi localizado enterrado em um matagal. Boldrini, Graciele e Edelvânia foram presos no mesmo dia. Um irmão de Edelvânia, Evandro, foi preso posteriormente. 

Nenhum dos quatro suspeitos conseguiu autorização para responder ao processo em liberdade. O Ministério Público acusou o médico de ser o mentor da morte do filho, executada pela madrasta com ajuda da amiga e participação indireta do irmão, que teria aberto a cova. Afirmou, ainda, que todos tinham interesses financeiros. O casal para ficar com os bens que Bernardo herdaria da mãe e os irmãos pelo pagamento que receberiam.

Baseada nos depoimentos das duas mulheres, que não apontaram a participação do médico, a defesa de Boldrini sustenta que ele é inocente. Graciele alega que a morte do menino foi provocada pela ingestão acidental de dose excessiva de remédios. Edelvânia afirma que não participou do "evento morte". Evandro nega participação na ocultação do cadáver.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.