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Advogado Said Halah morre aos 91 anos

Ele presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ribeirão Preto nos períodos de 1981 a 1983 e de 1983 a 1985

Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 00h52

Generoso e sábio. Esses são os dois adjetivos que o engenheiro André utiliza para descrever o pai, Said Halah, que faleceu na manhã de domingo, 20, aos 91 anos. Decano da advocacia de Ribeirão Preto, ele completaria 92 em abril. 

“Leu e trabalhou até os últimos dias”, lembra André. Durante tantos anos de dedicação à advocacia, ajudou muitas pessoas. Não à toa, conforme conta o filho, os últimos dias têm sido repletos de “homenagens inesperadas” e memórias. “Apareceram muitas pessoas agradecendo de coisas que a gente nem sabia.”

Filho de imigrantes sírios, Halah teve uma infância humilde em Ribeirão Preto junto aos irmãos. Começou a trabalhar cedo, ainda aos seis anos. Antes de se dedicar ao Direito, fez um curso técnico de contabilidade e atuou como contador. 

Tornou-se advogado em 1960. Mas já defendia pessoas antes mesmo da formatura. “Ele sempre foi um galo de briga”, conta André. A dedicação o levou a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ribeirão Preto nos períodos de 1981 a 1983 e de 1983 a 1985, ocupando diversos cargos e postos na instituição.

A generosidade se expressava na maneira como atendia aos clientes, especialmente os que menos tinham condições financeiras. “A atenção, o carinho e a paciência sempre foram os mesmos (para todos).” Não foram poucas as vezes em que Halah não cobrou honorários, tirou dinheiro do bolso para ajudar alguém ou deu oportunidade de emprego a quem mais precisasse, lembra o filho. 

Também teve envolvimento com a política. Antes de 1964, conta o filho, o pai fez parte do Partido Comunista. Chegou a ser vereador, entre 60 e 63, antes que os militares tomassem o poder. Durante a ditadura, viveu sob um “clima de tensão”, tendo sido preso “várias vezes”.  

Halah também apoiou o Movimento Sem Terra (MST). Em postagem no Instagram, o grupo disse que o advogado ajudou o MST a se estabelecer em Ribeirão Preto. “Era um ser humano indignado com as injustiças e com a existência de tanta ganância”, descreveu o post.

Dividiu a vida com Theresinha, com quem se casou em 1959. Juntos, tiveram três filhos: André; a advogada Patrícia; e o médico Ricardo. Mais tarde, vieram os sete netos. Cinco deles, inspirados no avô, decidiram cursar Direito.

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