Advogados do PCC vão à CPI e podem ser presos

Os deputados da CPI do Tráfico de Armas vão tomar nesta terça-feira o depoimento dos advogados Sérgio Weslei da Cunha e Maria Cristina de Souza Rachado atentos a algum deslize que possa permitir a prisão dos dois acusados de terem comprado por R$ 200 cópia das declarações do diretor do Deic, Godofredo Bitencourt Filho, e do delegado Ruy Ferraz em sessão secreta da CPI. Na semana passada, a comissão pediu à Justiça a prisão preventiva da dupla e acusa os dois advogados de se exceder nas suas funções profissionais e de fazer parte da facção criminosa. Os dois teriam repassado os depoimentos dos delegados ao PCC antes das rebeliões e das ações violentas em São Paulo que tiveram início no dia 12 passado.Os advogados poderão participar, ainda hoje, de uma acareação com o ex-funcionário de empresa que presta serviço à Câmara Arthur Vinícius Pilastre Silva, que confessou ter vendido a cópia da gravação da sessão secreta à dupla. A acareação foi marcada para a próxima quinta-feira, mas o ex-funcionário também foi convocado para estar hoje na sessão da CPI, caso seja possível realizar a acareação após os depoimentos.Na defensivaA CPI tem poder de autoridade judicial. No Congresso, há casos em que CPIs deram voz de prisão a depoentes que cometeram falso testemunho. A questão, no entanto, é polêmica, porque há entendimento de setores judiciais de que não cabe prisão em flagrante nesses casos, mas sim a abertura de inquérito. Deputados da CPI estão prevendo que os dois advogados vão ficar na defensiva, evitando declarações que possam incriminá-los. Os depoimentos serão tomados pela CPI com a Câmara já sob um novo esquema de segurança. Na entrada da sala, será colocado um parelho de raio X e um detector de metais.No dia 10, dois dias antes do início dos atos de violência em São Paulo, o depoimento em sessão secreta da CPI de Godofredo Bitencourt e de Ruy Ferraz, no qual faziam um raio X das ações do PCC e tratavam de ações da polícia chegou ao conhecimento do líder da facção Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O vazamento das declarações foi descoberto e o ex-funcionário terceirizado da Câmara confessou ter vendido aos advogados a cópia da gravação da sessão.

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