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Advogados reclamam de privilégios a Pimenta Neves

Advogados de Ibiúna, a 70 quilômetros de São Paulo, vão pedir ao Tribunal de Justiça do Estado que o mesmo tratamento dado ao jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves recebeu no julgamento pelo tribunal do júri seja estendido a todos os réus. Eles consideraram que o autor do assassinato da também jornalista Sandra Gomide recebeu tratamento privilegiado. Contestaram também a decisão do juiz Diego Ferreira Mendes de esvaziar o plenário durante os debates da sessão de júri. "Quem assistiu ao julgamento observou que o réu teve uma série de regalias, pois não ficou no banco dos réus e sentou-se ao lado de seus advogados", disse a vice-presidente da subsecção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Delícia Fernandes dos Santos. Segundo ela, o esvaziamento do tribunal é "inédito" e frustrou advogados, estudantes de Direito e o público que se cadastrou para acompanhar o júri. "Vou querer o mesmo privilégio do Pimenta para meus clientes, inclusive o júri sigiloso", disse a advogada Ruth Maria Canto Cury, que atua na área criminal há 30 anos. O juiz mandou esvaziar o plenário porque seriam apresentadas, no debate, partes do processo que estavam em segredo de justiça. Ruth considera que houve uma interpretação "excepcional" da lei por causa da condição social do réu. "Quando a gente pede algum resguardo para a imagem do réu comum, não consegue." A advogada disse nunca ter visto o réu passar instruções para a defesa, como disse ter ocorrido com Pimenta Neves. "Fiz muito júri, mas nunca vi um réu tão à vontade no tribunal." O advogado Cornélio Vieira disse que o julgamento teve "peculiaridades". "A decisão de esvaziar o plenário do tribunal é no mínimo polêmica." Atuando há muitos anos em tribunais populares, ele também nunca viu o réu sentar-se com os advogados. "As testemunhas tiveram liberdade excessiva e foram liberadas para acompanhar a sessão no plenário, antes de se encerrarem todos os depoimentos." Os advogados pretendem encaminhar um relatório à OAB pedindo igualdade no tratamento dado aos réus.

Agencia Estado,

05 de maio de 2006 | 15h59

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