Advogados tentam evitar prorrogação das prisões

Ex-governador, o atual e outras 16 pessoas devem ficar presos até amanhã, mas o Ministério Público pode pedir mais 5 dias

Felipe Recondo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

A prisão por mais cinco dias do governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e do ex-governador Waldez Góes pode definir a eleição no Estado. Com esse argumento, os advogados dos dois tentarão evitar que o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha, relator do inquérito da Operação Mãos Limpas, mantenha os dois presos até o final desta semana.

Dias disputa a reeleição ao governo do Estado e conforme a última pesquisa Ibope estaria tecnicamente empatado com o segundo colocado - Jorge Amanajás (PSDB). Waldez Góes disputa uma vaga no Senado e era o primeiro colocado conforme o levantamento. Desde que os dois foram presos, os adversários políticos vêm alardeando as suspeitas do envolvimento no esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações.

Dias disputa o segundo mandato com Amanajás e Lucas Barreto (PTB), este último em primeiro lugar nas pesquisas com nove pontos porcentuais à frente do atual governador. Góes tinha dez pontos de diferença para o segundo colocado na pesquisa, João Capiberibe (PSB), adversário político do senador José Sarney (PMDB-AP).

Pela decisão do STJ, o governador, o ex-governador e outras 16 pessoas devem ficar presos até amanhã. Mas o Ministério Público pode pedir a prorrogação do prazo da prisão temporária por mais cinco dias.

Primeiro turno. Se concordasse com o pedido, Dias e Waldez Góes seriam soltos a apenas duas semanas do primeiro turno das eleições - dia 3 de outubro. Até lá, suas campanhas ficariam paradas. E os adversários, como naturalmente já estão fazendo, tirarão proveito da operação da Polícia Federal.

A junta de advogados montada para defender os dois deve aguardar uma sinalização do ministro. Se tiverem a indicação de que as prisões serão prorrogadas, os advogados devem pedir habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal. Vão argumentar que a PF já cumpriu todas as diligências solicitadas pelo Ministério Público e já prestaram depoimento. Não haveria razão, conforme argumentam, para a manutenção das prisões.

Documento obtido pelo Estado mostra que o Ministério Público solicitou a prisão preventiva dos dois. Nesse caso, os dois poderiam ficar presos até as eleições. O prejuízo político para ambos seria muito maior.

Noronha deferiu apenas a prisão temporária dos 18 suspeitos de envolvimento no esquema. O prazo da prisão temporária é de cinco dias, prazo suficiente para que a PF cumprisse os mandados de busca e apreensão e para os depoimentos dos presos.

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