Advogados terão acesso restrito a Bangu 1

A partir de hoje, começam a vigorar regras mais rígidas para visitas de advogados aos presos no presídio Bangu 1, onde estão os traficantes mais perigosos do Estado do Rio. Os representantes não poderão mais conversar com criminosos em seqüência, para evitar que mensagens sejam passadas de um para outro. As medidas terão validade de 60 dias.Passam a valer também normas como a redução no número de advogados para cada preso para somente um, a obrigatoridade de agendamento das visitas pelo menos dez dias antes e a proibição de conversas de mais de vinte minutos. O livro que registra as entradas dos advogados deverá ser melhor fiscalizado.Em Bangu 1, estão traficantes da facção criminosa Comando Vermelho, liderada por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Os advogados que quiserem entrar lá terão de mostrar carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) atualizada, para provar que passaram pelo recadastramento feito pela entidade, ou o protocolo correspondente junto com a carteira antiga.O subsecretário de Administração Penitenciária, Aldney Peixoto, disse que os advogados terão que explicar o porquê da visita. "Tem que demonstrar que está ali para exercer sua atividade jurídica, e não para servir de menino de recados do tráfico. Se for o primeiro contato com o cliente, tem que provar que foi contratado", explicou.Além de possibilitar que os criminosos continuem tocando seus negócios mesmo atrás das grades, a atuação dos advogados permite também que os bandidos promovam atos de violência. Isso foi comprovado pela secretaria depois do depoimento de um preso que mostrou que as ações de terror do dia 24 de fevereiro, quando ônibus foram queimados e o comércio foi fechado em diversos pontos da Região Metropolitana, foram ordenados por traficantes que estão presos em Bangu.Dezenove advogados que defendem integrantes da quadrilha de Beira-Mar estão na mira da secretaria de Administração Penitenciária e da OAB do Rio. Eles teriam conivência com os criminosos e estão sob investigação. A secretaria chegou aos 19 nomes depois de cruzar informações dos livros de entrada dos presídios Bangu 1, 2, 3 e 4.

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