Aécio aciona seu rolo compressor, de olho no pós-Lula

Com eleição certa para o Senado, ex-governador deve ver seu candidato ao governo impor dura derrota ao PT no Estado

Eduardo Kattah e Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

No segundo maior colégio eleitoral do País, o resultado das eleições irá além da disputa pelo governo de Minas Gerais, liderada com folga pelo governador Antonio Anastasia (PSDB), à frente do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB). Mais do que os titulares do governo, do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa, as urnas mineiras devem revelar o fortalecimento do ex-governador Aécio Neves como um dos líderes da era pós-Lula.

Se confirmados os prognósticos dos institutos de pesquisa às vésperas da votação, Aécio Neves, já apontado como nome certo de Minas no Senado, será o líder mais vitorioso do PSDB. "Ele vai fazer barba, cabelo e bigode", aposta o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Ranulfo, convencido de que a hegemonia paulista do PSDB está com os dias contados.

O cientista político acredita que o PSDB mineiro terá mais sucesso nesta eleição do que a regional de São Paulo, tida até agora como a mais forte do partido em todo o Brasil. Pelas pesquisas de intenção de voto, Anastasia vai continuar no comando do Palácio Tiradentes, por obra política de Aécio, que ainda deve se eleger em dobradinha com o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

Isso significa que, na prática, Anastasia pode ser eleito contabilizando como seus os três votos de Minas no Senado. Além da provável dupla Aécio-Itamar, o terceiro senador mineiro - Eliseu Resende (DEM) - também é um aliado que chegou ao Congresso, em 2006, pelas mãos do ex-governador tucano.

Geraldo Alckmin, no entanto, deve voltar ao governo de São Paulo pelo PSDB sem a garantia do apoio da bancada paulista no Senado. As pesquisas eleitorais indicam que seu grupo não conseguirá emplacar um aliado em nenhuma das duas cadeiras de senador hoje em disputa.

A terceira vaga de senador por São Paulo já está com o petista Eduardo Suplicy. Embora disparado à frente da corrida pelo governo paulista, Alckmin não conseguiu impulsionar a candidatura de Aloysio Nunes (PSDB) ao Senado, mesmo depois de Orestes Quércia (PMDB) ter saído da disputa para tratar da saúde, declarando voto no tucano.

A eventual vitória completa de Aécio hoje provocará uma derrota tripla para o PT mineiro, a despeito do esforço eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para eleger Hélio Costa, com o vice petista Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) para o Senado.

Na suplência de Pimentel, o deputado mais votado do PT mineiro, Virgílio Guimarães, pode ser arrastado pelo fracasso eleitoral, quando contava com a vaga de titular na hipótese de o ex-prefeito virar ministro em um governo de Dilma Rousseff.

Acordo indigesto. Os petistas, na verdade, não digeriram o acordo forçado pelo presidente Lula, segundo o qual o PT teve de abrir mão da candidatura ao governo de Minas em nome da aliança nacional com o PMDB para eleger Dilma Rousseff. A incompatibilidade entre as duas legendas tem registro na história política recente do Estado. Em 1994, os petistas ficaram com a candidatura do tucano Eduardo Azeredo, exatamente contra o peemedebista Hélio Costa.

Enquanto o tucanato se queixava do rolo compressor montado por Lula em todo o País para eleger sua sucessora, em Minas o chororô estava no campo lulista. "A campanha do Aécio é muito agressiva, com milhares de cabos eleitorais espalhados nas esquinas", reclamou Costa, ao falar de sua "frustração de ver o processo democrático lesado pela força e o aparato governista".

A frustração maior de Costa foi assistir aos tucanos surfando na onda "Dilmasia" - o apoio simultâneo à presidenciável do PT e a Anastasia. O peemedebista ficou inconformado com a desvinculação entre as campanhas da reeleição de Anastasia e do tucano José Serra para presidente.

A tática de Lula e seus aliados em Minas foi nacionalizar a sucessão estadual, para pregar a conveniência administrativa de ter um governador e uma presidente do "mesmo time". Em Minas, como no restante do País, o presidente da República foi protagonista da campanha, sempre com o discurso em defesa do "time de Lula".

Para driblar os apelos de um líder nacional com 80% de popularidade, Aécio jogou com os valores e a independência dos mineiros na escolha de seus candidatos. E, a partir daí, fez uso do mesmo argumento de Lula, em favor da continuidade de um projeto de gestão bem-sucedido, com Anastasia.

 

 

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