Aécio acredita que "há tempo de reagir"

O governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) reúne-se nesta quarta-feira com 90 deputados federais e estaduais da base aliada do governo para pedir empenho na campanha do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. "Acho que há tempo de reagir", avaliou Aécio, que ressaltou não acreditar na distância de 20 pontos a favor do candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que sua avaliação decorre de observações do ambiente eleitoral em suas viagens pelo Estado.Aécio anunciou que intensificará seu engajamento na campanha de Alckmin nesta reta final do segundo turno, acompanhando o candidato tucano nas viagens de campanha neste fim de semana: sexta-feira em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e em Varginha no Sul do Estado; sábado em Florianópolis e Porto Alegre; domingo em Campina Grande, na Paraíba, e possivelmente no Rio grande do Norte. Na próxima semana, Alckmin estará novamente em Minas."A sorte está lançada e eu vou fazer a minha parte", destacou Aécio, reiterando que acredita na possibilidade de recuperação de Alckmin a partir de um bom desempenho nos debates.Campanha em dificuldadeAinda assim, Aécio voltou a reconhecer que a campanha tucana enfrenta uma flagrante dificuldade no fato de Lula ter se tornado um mito para grande parte da população, por ser o homem que fez "a travessia da pobreza quase absoluta para o mais importante cargo político do País".Para o governador mineiro, o desafio dos "homens públicos responsáveis" é tentar influenciar a decisão do eleitores, "trazendo-a mais para racionalidade". Na sua avaliação, esta racionalidade levaria ao crescimento, à gestão eficiente do dinheiro público para a "grande travessia que nos falta, do Brasil desprotegido para o Brasil das oportunidades".O governador mineiro disse que vê com desalento as declarações do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, sentenciando que o debate ético estaria exaurido no País."Quer dizer que estamos livres para, no exercício do poder, cometermos desatinos como aqueles que foram cometidos por setores do PT e do governo que, ao meu ver, não foram punidos exemplarmente?", indagou.Intenções privatizantesAécio também criticou a tática de campanha de Lula atribuindo intenções privatizantes no programa de Alckmin. Ele argumentou que as privatizações tiveram muita importância para o País, nas áreas de telecomunicações e siderurgia, por exemplo, mas agora não há espaço para que elas sejam cogitadas.Para Aécio, a tática petista é uma maneira de fugir da discussão da questão ética que incomoda o governo Lula."É perigoso o que possa ocorrer lá adiante. O governo varrendo para baixo do tapete essas denúncias e não as esclarecendo antes das eleições pode ter até resultados, mas pode trazer complicações muito grandes e uma dor de cabeça imensa para o um eventual governo eleito", advertiu.

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