Aécio afirma que vai fazer o que for necessário para eleger Alckmin

Depois da vitória consagradora em Minas Gerais, o governador Aécio Neves se comprometeu "a fazer o que for necessário" para eleger o tucano Geraldo Alckmin ao Planalto. E centrou fogo no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu no Estado, mas saiu fragilizado surpreendendo até a cúpula do PT. Aécio conversou por telefone com Alckmin, pela manhã, e avisou que está disposto a acompanhá-lo também em outros Estados para reforçar a campanha do segundo turno. Ele prometeu estar ao lado de Alckmin numa "cruzada" pelo fim do ciclo do PT e " início de um novo ciclo com planejamento, ética, valores e, sobretudo, qualidade na administração pública". Aécio festejou o desempenho de Alckmin em Minas, que obteve 40,62% dos votos válidos (4,151 milhões) no Estado. Já Lula obteve 50,80%, o que representa 1,040 milhão de votos a mais. Até domingo, a coordenação da campanha petista trabalhava com a expectativa de o presidente derrotar o candidato tucano por uma diferença mínima de 20% dos votos válidos no Estado. Para Aécio, essa votação inferior revelou "a percepção dos mineiros de que existe uma outra proposta melhor para o País". Ao longo de sua trajetória, Lula sempre teve expressiva votação em Minas. Tanto que, nessa eleição, cunhou-se a o termo "Lulécio" para traduzir a divisão do eleitorado mineiro entre o apoio a Aécio e a Lula. O governador reeleito atribuiu a queda de Lula "à sucessão de equívocos do governo e uma confiança do presidente na sua capacidade pessoal de comunicar-se com a população, sem se preocupar com a gestão, com os resultados do seu governo". Ataques Na linha de ataques velados a Lula, Aécio ressaltou que o PT mineiro perdeu "politicamente" as eleições quando se aliou ao ex-governador Newton Cardoso, do PMDB, dando "um péssimo exemplo às gerações de hoje e às gerações futuras, subestimando a capacidade dos mineiros de compreender a política ao fazer alianças absolutamente oportunistas, contrariando a sua história e o seu passado". Sem citar o nome do presidente, disparou: "Fica também uma grande lição a essas figuras que não se constrangeram ao estar aqui caminhando por Minas Gerais ao lado de figuras, de personagens que combateram, durante boa parte de suas vidas, apenas dizendo o seguinte que para ganhar as eleições, vale tudo". Na sua avaliação o PT perdeu autoridade política e "os mineiros disseram um retumbante ´não´ ao oportunismo e às alianças de última hora". É com esse discurso anti-petista que o governador reeleito pretende reforçar a campanha do segundo turno. Ele procurou diferenciar Lula de Alckmin, ao afirmar que, com o tucano, as reformas necessárias - a política, tributária e mudanças na previdência - terão mais condições de serem implementadas."Ele tem a compreensão mais próxima da que nós temos do papel do Estado", disse, acrescentando que o governo precisa ser constituído a partir do mérito dos ocupantes dos cargos públicos e não apenas pela filiação partidária. "Isto já é uma extraordinária diferença entre os dois projetos, de Lula e Alckmin".Mesmo assim, o governador afirmou que não deseja se afastar do tom conciliatório nem fazer uma campanha agressiva pautada nas ofensas pessoais. Passado o segundo turno, ele quer liderar um movimento com os governadores em torno de propostas consensuais, incluindo mudanças na lei Kandir, e encaminhá-las aos presidentes da Câmara e Senado logo em fevereiro quando o novo Congresso tomará posse. Já na próxima semana, disse que iniciará as conversas com os colegas sobre isso.MandatoAo longo de seu segundo mandato, Aécio pretende ampliar sua popularidade e trabalhar para que o PSDB se torne efetivamente um partido nacional e mais forte, principalmente no nordeste. "O desempenho frágil do nosso candidato no Nordeste é, na minha avaliação, em razão disso. Talvez, devamos fazer esta mea culpa ou esta avaliação interna de que tem faltado ao PSDB uma presença mais nítida em determinadas regiões do País, de determinadas propostas. Acho que o pós-eleição é o momento adequado para discutirmos estas questões", concluiu.Mas, quando indagado sobre a sua eventual candidatura ao Planalto em 2010, despista. Mas esnoba: "Sou apenas um feliz governador reeleito com uma votação histórica obviamente consciente de sua responsabilidade".

Agencia Estado,

02 de outubro de 2006 | 18h05

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