Aécio Neves critica carta aberta de FHC

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, demonstrou nesta segunda-feira, 11, desconforto com a carta aberta de Fernando Henrique Cardoso, na qual o ex-presidente ataca o governo Lula e também faz uma autocrítica em relação ao PSDB - afirmando que o partido tapou o sol com a peneira no caso do senador tucano Eduardo Azeredo (MG), acusado de envolvimento com o ´valerioduto´ na campanha de reeleição ao governo de Minas, em 1998.A princípio, Aécio disse que preferiria não comentar o texto, que classificou como "ações que mais desagregam que agregam". Mas foi enfático ao dizer que é preciso fazer campanha política "olhando para a frente" e que, no momento, está empenhado no "projeto que interessa ao PSDB", se referindo à campanha presidencial de Geraldo Alckmin."Quando se faz uma campanha política, se faz uma campanha olhando para a frente. Ninguém faz uma campanha política apenas olhando para trás", afirmou o governador, numa alusão à análise de que FHC teria confeccionado o documento em reação à suposta falta de empenho de líderes tucanos na defesa de seus oito anos de governo.Alckmin e Aécio desembarcaram pela manhã em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri mineiro. O presidenciável tucano corroborou com a avaliação do governador e candidato à reeleição mineiro: "É óbvio", disse, ao ser questionado se concordava com a declaração de Aécio. Alckmin observou que o que está sendo discutido ha atual campanha é "quem pode fazer mais nos próximos quatro anos".Injustiça"Acho até uma certa injustiça com Geraldo, que tem lembrado sempre, com muita firmeza, muitos aspectos positivos do governo do presidente Fernando Henrique. Eu não acho que ele (FHC) tenha sido deixado de lado. O candidato é Geraldo Alckmin, e nos estamos discutindo um governo a partir de 2007, no caso, e não governos passados", completou Aécio, sem deixar de elogiar o ex-presidente tucano, chamando-o de "um dos grandes brasileiros do seu tempo", que "terá sempre seu espaço consolidado na história´ do País."Tenho um apreço enorme pelo presidente Fernando Henrique. É meu amigo pessoal e é um homem de inúmeras virtudes, que não pode ser julgado por um documento", acrescentou Aécio.O governador mineiro justificou sua resistência a comentar o texto alegando que a carta aberta está sendo sobrevalorizada na imprensa. Ele se recusou a falar especificamente sobre a autocrítica de FHC envolvendo Azeredo. Disse que a sua maior contribuição ao "grande projeto do PSDB, neste momento, é não criar mais polêmica". "A melhor forma de eu contribuir para continuarmos avançando neste projeto é evitar comentar ações que mais desagregam do que agregam"."Chamamento"Perguntado sobre a referência no documento ao episódio envolvendo Azeredo, Alckmin contemporizou e foi evasivo. Disse somente que o senador mineiro já se explicou. "A lógica da carta foi um chamamento. Acho que esse foi o objetivo do presidente", afirmou."Eu não vejo problema. Ele (FHC) fez uma crítica ao governo atual, dizendo que é um descalabro ético, que o Brasil precisa ser passado a limpo. Eu estou plenamente de acordo", finalizou Alckmin.

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