Aécio rejeita papel de vice de Serra e insiste em concorrer ao Senado

Ex-governador de Minas resiste a pressão para compor chapa puro-sangue do PSDB e reafirma estar convicto de que a melhor forma de ajudar o partido na disputa pelo Planalto e também pelo governo local é participar da disputa no Estado

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

BELO HORIZONTE

No seu retorno à cena política, o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) voltou a descartar a possibilidade de compor como vice a chapa encabeçada pelo pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

Após um encontro no Palácio das Mangabeiras com o governador do Estado, Antonio Anastasia (PSDB), que busca a reeleição, e com o ex-presidente Itamar Franco (PPS), Aécio reafirmou ontem a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória de Serra e de Anastasia é "estando em Minas Gerais como candidato ao Senado".

Na entrevista, o ex-governador fez questão de ter ao seu lado Anastasia e Itamar, num gesto que simboliza sua prioridade: a sucessão estadual e a manutenção do controle sobre o segundo colégio eleitoral do País.

Aécio passou quase um mês no exterior, período em que a presidenciável petista, Dilma Rousseff, alcançou Serra nas pesquisas eleitorais, fazendo ressurgir apelos para que o mineiro integre uma chapa puro-sangue.

Antes de embarcar de férias para a Europa, o ex-governador teve acesso a uma pesquisa mostrando que, "para o eleitorado mineiro, não é indispensável Aécio ser vice para convencê-lo a votar em Serra". Esse levantamento ajudou o mineiro a tomar a decisão anunciada ontem.

Aécio rechaçou pressões. "Minha decisão não pode ser tomada a partir de opiniões pessoais, até de boas intenções de alguns companheiros. Elas são legítimas, mas a minha decisão tem de ser tomada através de análise profunda que eu faço do cenário político. Estou convencido de que a melhor forma de ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e ao companheiro e amigo José Serra é estando em Minas como candidato ao Senado."

Em relação aos que cobram "patriotismo" de sua parte, foi categórico: "Chega a ser piada. Ninguém fez mais gestos de generosidade dentro do PSDB em torno do nosso projeto do que eu."

Beija-flor. Coube a Itamar falar da opção de Aécio pela sucessão em Minas, onde Anastasia está bem atrás nas pesquisas. Segundo ele, se fosse candidato a vice-presidente Aécio perderia o foco em Minas. "Faria uma campanha de beija-flor. Viria aqui (em Minas) de vez em quando, e bicava aqui e bicava lá. Ao contrário, nós precisamos vencer aqui", afirmou. "Campanha beija-flor ele pode fazer lá para o Serra em outros Estados. Mas em Minas não."

Aécio retoma hoje as viagens com Anastasia pelo interior mineiro. Embora tenha dito que "é bem possível" que ele e Itamar façam dobradinha na disputa pelo Senado, ele voltou a incluí-lo entre os "nomes extraordinários" para ser vice de Serra, salientando que caberá ao presidenciável a escolha. "O que posso garantir é que o palanque em que estiver o presidente Itamar Franco será o meu palanque."

O ex-presidente causou constrangimento ao criticar a postura de Serra de poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a pré-campanha e disse que cumpre a "determinação partidária" de apoio ao tucano - que chegou a dizer que Lula está acima do bem e do mal. "Se não quer falar mal do presidente Lula, fica quieto. Mas, se começa a elogiar muito o presidente Lula, eu que estou sentado lá falo: uai, então para que eu vou mudar, se o próprio candidato da oposição está elogiando?"

Para Aécio, a campanha de Serra não deve ignorar os avanços do governo Lula, mas também não deve deixar de apontar "os equívocos" da gestão petista.

Aécio prometeu "suor e sangue" para eleger Serra, colocando-se à disposição para viajar pelo Brasil com o presidenciável, e disse que os aliados precisam "conter as ansiedades". / COLABOROU CHRISTIANE SAMARCO

Datas-chave da campanha tucana

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5 de julho

Prazo final para partidos e coligações

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