Aéreas evitam Congonhas por causa da chuva e paralisam aeroporto

TAM e Gol, as maiores companhias aéreas do país, suspenderam nesta segunda-feira os pousos e decolagens no Aeroporto de Congonhas por causa da chuva, paralisando o tráfego aéreo no principal ponto de conexão de vôos do país. Até às 18h, das 211 decolagens agendadas em Congonhas, 143 tinham sido canceladas, ou 68 por cento dos vôos. Outras 18 partidas estavam com mais de uma hora de atraso. A Infraero não esclareceu se algum dos demais 50 vôos chegou a decolar, mas uma assessora indicou que todos tinham atraso. Pelo site de acompanhamento de vôos da Infraero, apenas quatro pousos aconteceram em Congonhas até as 17h50 --dois da Varig e dois da Pantanal Linhas Aéreas. Vôos também foram transferidos para os aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Cumbica, em Guarulhos. Fontes do governo afirmaram à Reuters que os pilotos das empresas aéreas começaram a boicotar o aeroporto nos dias de chuva desde o acidente com o Airbus da TAM na terça-feira. A aeronave com 187 pessoas a bordo não conseguiu realizar a manobra de pouso, fez um vôo rasante sobre uma avenida movimentada e explodiu contra prédios, provocando a morte de cerca de 200 pessoas. O dia foi de muita confusão e desencontros no palco do pior acidente aéreo do país. Congonhas foi fechado brevemente pelo menos três vezes em decorrência da chuva, para medições da lâmina de água e do nível de atrito da pista auxiliar. A pista principal, onde ocorreu o grave acidente, permaneceu fechada. Apesar de reaberto o aeroporto, TAM e Gol fecharam os balcões de check-in. Nos corredores de Congonhas, abarrotados, os passageiros buscavam alguma informação confiável. "Por enquanto, não estamos tendo informação. Tem pessoas (da Gol) que dizem que não vai ter vôo hoje, outros dizem que pode esperar na fila para remarcar a passagem", reclamou Plínio Ramalho, bancário de 34 anos, que já esperava há mais de duas horas uma conexão para Florianópolis. Numa fila, o músico Hermeto Pascoal, de 71 anos, que também teve seu vôo cancelado, tentava criar beleza do caos. "Já até gravei na ida (em Belo Horizonte) o pessoal discutindo, querendo quebrar as coisas. De coisas ruins sempre tem coisas boas, e a gente aproveita porque a música dá essa liberdade", disse Hermeto. Segundo o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, a pista principal deve abrir ainda esta semana. A previsão era para terça-feira, mas a chuva atrapalhou a perícia da Polícia Federal. Com a finalização do trabalho da PF, serão necessárias 24 horas para a reabertura da pista, segundo Pereira. No final do dia, a chuva causou um deslizamento de terra na cabeceira da pista principal devido à falta da mureta de proteção, destruída no acidente com o Airbus da TAM. (Colaborou Isabel Versiani)

FERNANDA EZABELLA E HENRIQUE MELHADO BARBOSA, REUTERS

23 Julho 2007 | 19h33

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