Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Aeronautas criticam órgão que assegura reserva de mercado

A presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziella Baggio, criticou com veemência nesta quarta-feira a decisão do Comando da Aeronáutica de criar, "como um passe de mágica" , os Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). "No momento em que todos os países estão transferindo para a área civil as investigações dos acidentes aeronáuticos para agências independentes , a Aeronáutica, assina uma portaria assegurando a reserva de mercado. É um completo retrocesso", desabafou ela. Graziella Baggio não está sozinha nesta crítica. Entre os próprios brigadeiros há uma ala que acha que foi "inoportuna" a portaria da Aeronáutica porque este não é o momento de fazer essa alteração, já que toda a estrutura do setor aguarda uma posição do presidente da República sobre as mudanças propostas. "Se tinha que fazer isso, tivesse feito quando foi criada a Anac e não agora, no meio do olho do furacão. Mais uma vez o comando foi inábil nos seus atos", criticou o militar. "Certamente o comandante quis delimitar terreno e marcar posição, só que na hora errada, uma falta completa de falta de oportunidade", prosseguiu.Encontro com PiresNesta quarta-feira, a presidente do Sindicato foi procurar o ministro da Defesa, Waldir Pires, para falar deste descontentamento com esta medida e da sua preocupação com a demora na solução dos problemas do transporte aéreo, inclusive dos controladores, que esperavam numa solução para a questão até o dia 15 de janeiro, como havia prometido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ouviu de Pires que as conclusões do Grupo de Trabalho foram entregues ao Palácio do Planalto e que todos aguardam um posicionamento do presidente da República. Levou, inclusive, uma preocupação grande dos aeronautas, como possibilidade de nova mobilização por parte dos controladores, por causa do não atendimento de nenhuma de suas reivindicações pela Aeronáutica e, com o agravante é que ainda criaram regras que vão obrigá-los a trabalhar ainda mais.Graziella insistiu que novos problemas poderiam surgir depois do dia 15 e que seria importante que alguma satisfação à categoria fosse dada antes disso, alegando que todos estão otimistas com a solução a ser encontrada por Lula. Novas manifestaçõesProcurados, os controladores juram que não estão se mobilizando. Mas na terça-feira, foi a vez de Jorge Botelho, presidente do sindicato dos controladores do Rio procurar Waldir Pires e alertá-lo para os problemas que poderá enfrentar nas próximas semanas. A presidente do Sindicato foi informada por Pires que, na semana que vem, irá tratar do assunto com o presidente, que está de férias esta semana. Pires lembrou que este "é um assunto complexo" e que exige "muita concentração para se tomar uma decisão". Na Defesa, há informações de que o presidente Lula teria manifestado a intenção de desmilitarizar o setor, mas ninguém sabe como e quando isso seria feito. Apesar de o ministro dizer tratará do assunto com Lula na semana que vem, no Planalto, as informações são de que há outros assuntos na fila de prioridades: definição do PAC - Plano de aceleração do crescimento, a eleição da presidência da Câmara e nomeação do novo ministério. Ou seja, na melhor das hipóteses, o tema entra em pauta, depois do Carnaval praticamente em março, a não ser que haja uma inversão de prioridades. O que os representantes do setor esperam é, pelo menos, uma satisfação de quando a questão deles será tratada.A criação dos Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripas) foram criados para realização da apuração das causas dos acidentes com aviões civis, sob a alegação de que esta é uma atribuição da Força Aérea. As investigações, antes estavam subordinadas aos Serviços Regionais de Aviação Civil (Serac), que pertencia ao antigo Departamento de Aviação Civil (DAC), que deu lugar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A crítica é que este é o momento de dar lugar aos órgãos de investigação independentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.