Aeronautas e aeroviários descartam greve

Categorias e sindicato patronal aceitaram proposta de 8% de reajuste apresentada pelo MPT

Mônica Cardoso e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

A greve de trabalhadores do setor aéreo que ameaçavam parar amanhã, na véspera de Natal, foi descartada por aeronautas (pilotos, co-pilotos e comissários) e aeroviários (que realizam serviços em terra, como check-in). Eles chegaram a um acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) sobre o reajuste salarial de 8% para pisos e salários. A proposta foi feita pela procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo, Laura Martins de Andrade, na sexta-feira, com o objetivo de acabar com o impasse do estado de greve que vigorava desde o dia 27 de novembro.O Sindicato dos Aeroviários do Rio já assinou o acordo. A maioria dos sindicatos de aeroviários dos outros Estados realizou assembléias na tarde de ontem e deve aderir à proposta ainda hoje, assim como o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).O Sindicato Nacional dos Aeroviários deve realizar a sua assembléia apenas na próxima semana. A secretária-executiva da entidade, Selma Balbino, não descarta a possibilidade de greve na véspera do ano-novo, caso os trabalhadores não concordem com a proposta apresentada pelo MPT.Na manhã de ontem, os aeroviários fizeram uma paralisação de advertência no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão), no Rio, das 5 às 8 horas. Os trabalhadores também organizaram uma passeata na rua que dá acesso ao aeroporto, o que provocou engarrafamento de oito quilômetros na região.IMPASSEHá cerca de um mês, os sindicatos de trabalhadores e as empresas do setor aéreo promovem reuniões para chegar a um acordo sobre o reajuste salarial cuja data base é 1º de dezembro.A proposta inicial de reajuste dos sindicatos dos trabalhadores era de 13%. O sindicato das empresas, por sua vez, apresentou uma contraproposta de 5%, que foi recusada pelas categorias. Os trabalhadores sugeriram então um novo índice, de 10%, e as empresas contra-argumentaram com um reajuste de 7,5%.Para Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), os resultados apresentados pelas empresas são bastante satisfatórios, embora levemente menores em relação aos anos anteriores. Segundo ela, as empresas estimam um crescimento em torno de 6% para o setor. "O aumento do barril do petróleo foi embutido no preço das passagens aéreas. No entanto, quando o valor do barril diminuiu, as passagens continuaram com o mesmo preço." O diretor administrativo e financeiro do SNEA, Arturo Spadale, argumenta que o acordo de 8% é bom em uma situação de crise. "Tivemos aumento do preço da passagem, no entanto o dólar subiu. Além disso, a ocupação média nas aeronaves diminui de 70% em novembro do ano passado para 62%", diz Spadale.O Ministério Público do Trabalho também propôs que empresários e trabalhadores formem uma comissão bipartite para, em 90 dias, estabelecer junto às empresas aéreas, os programas de participação nos lucros e resultados.

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