Aeronautas querem polícia fora de investigação de acidente aéreo

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) defendeu nesta terça-feira a exclusão das polícias federal e civil de investigações sobre acidentes aéreos, e pretende apresentar essa reivindicação em audiência já pedida com o ministro da Justiça, Tarso Genro, ainda sem data marcada. O SNA vai propor a criação de um órgão independente de investigação de acidentes aéreos no Brasil, a exemplo do que ocorre em outros países. Na avaliação do comandante Célio Eugênio de Abreu Júnior, assessor do SNA para segurança de vôo, as polícias federal e civil têm atrapalhado as investigações sobre o acidente da TAM porque são órgãos inabilitados para conduzir o processo. "A polícia não é órgão habilitado para investigações desse tipo, ela é preparada para investigar crimes, falta capacitação para a polícia", disse Abreu Júnior a jornalistas nesta terça-feira. Ele disse temer que haja uma criminalização da tripulação da TAM no acidente em Congonhas com o Airbus A320 da empresa, que matou cerca de 200 pessoas no dia 17 de julho, assim como ocorreu no acidente da Gol, no final de setembro do ano passado, em que os controladores de vôo foram indiciados pela polícia por crime culposo na morte de 154 pessoas. "A experiência que nós temos nos deixa apreensivos, porque houve uma criminalização no acidente com a Gol, tememos que no acidente da TAM os pilotos sejam criminalizados...o piloto não teve intenção dolosa no acidente da TAM", complementou. As investigações sobre o maior acidente aéreo da história do país ainda não foram concluídas. O Sindicato vai defender junto ao ministro da Justiça a criação de uma agência independente ao governo para apurar as causas dos acidentes aéreos do país e apontar futuras soluções ou medidas de prevenção a acidentes. "Esse órgão existe em todos os lugares do mundo", informou Abreu Júnior. Segundo ele, uma agência independente minimizaria uma possível pressão externa na apuração das causas dos acidentes. "O envolvimento de pessoas e órgãos alheios (ao setor) tem atrapalhado muito as investigações, isso é um prejuízo à sociedade. Esperamos que no acidente da TAM somente os investigadores atuem", disse o comandante. Ele defendeu, no entanto, que, enquanto não se cria um órgão independente, as investigações fiquem concentradas no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão subordinado à Aeronáutica.

REUTERS

31 Julho 2007 | 17h15

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