Aeronáutica convoca controladores; caos continua

No sétimo dia de atrasos nos aeroportos do País, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, convocou os 149 controladores de vôo de Brasília para que todos permaneçam em seus postos de trabalho. Segundo o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, entretanto, a medida não vai resolver a situação, que deve continuar até sexta-feira.Funcionários das companhias aéreas e passageiros chegaram a se agredir nos aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira. Em Brasília, policiais militares faziam a segurança para evitar conflitos. A crise é provocada pela "operação-padrão" dos controladores e os saguões dos terminais continuavam cheios de passageiros no início da tarde desta quinta-feira. O comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, ameaçou os controladores com punição baseada no regulamento militar (que, em última instância, pode resultar na prisão do funcionário) caso não aceitassem a convocação.O ex-presidente da Associação de Controladores de Vôos, Ulisses Fontenele, denunciou nesta quinta-feira que 190 controladores estão sendo mantidos no Cindacta desde quarta-feira, questionando o número informado pelo comandante da Aeronáutica. "É um aquartelamento", alertou.ConflitosPoliciais militares foram deslocados para alguns aeroportos depois que passageiros e funcionários se agrediram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em Brasília, policiais também foram chamados para fazer a segurança externa do aeroporto de Brasília.No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, na cidade de Guarulhos, alguns passageiros chegaram a esperar até 12 horas para conseguirem embarcar. No fim da manhã, a informação era de que 93 vôos estavam atrasados, sendo 59 domésticos e 34 internacionais.No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de onde partem vôos da Ponte Aérea Rio-São Paulo, não foram registrados atrasos, segundo informações da Infraero.Nos aeroportos de Vitória, Manaus, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife passageiros reclamavam dos atrasos e da falta de informações.Convocação da Aeronáutica"Se o convocado se recusar, tem detenção, repreensão", afirmou o comandante da Aeronáutica. Luiz Carlos Bueno informou que oito controladores alegaram problemas de saúde para evitar a convocação.O brigadeiro informou que outros 18 controladores estão sendo convocados para trabalhar fora do sistema convencional - 11 da reserva, que aceitaram voltar ao trabalho, quatro remanejados e três de operações militares que foram transferidos para o serviço civil. Bueno disse que às 3 horas desta quinta-feira houve total paralisação do sistema aéreo, mas ele se recusou a admitir um apagão aéreo. "Às 3 horas da manhã estava tudo parado", informou Bueno.Apesar do caos visível, o brigadeiro afirmou que não havia problema em nenhum aeroporto do País durante esta quinta-feira. Ele disse que a Aeronáutica está definindo escala de trabalho para os próximos dias para evitar tumultos na volta do feriado. "Nossa programação é para evitar a confusão na volta".ControladoresO ex-presidente da Associação de Controladores de Vôos, Ulisses Fontenele, afirmou que a medida adotada pelo Comando da Aeronáutica não vai resolver os problemas dos atrasos vividos em quase todos os aeroportos. "Concordo que temos de encontrar uma solução. Mas esta não é a melhor", disse.Reclusos no Cindacta, os controladores, de acordo com Fontenele, estão sendo obrigados a trabalhar sob um alto nível de stress. "O stress é tão alto que tem até gente chorando por não suportar a pressão", afirmou.Preocupado, o ex-presidente da associação demonstrou apreensão sobre as condições de trabalho dos operadores mantidos no Cindacta 1. "Quero saber como eles vão dormir. Se há lugar para eles descansarem", comentou.Os controladores militares, segundo o relato de Fontenele, estão sofrendo ameaças de serem submetidos a uma corte marcial se resolverem deixar o Cindacta 1 antes de domingo. "Se forem punidos por uma corte marcial, os militares perdem todos os seus direitos", explicou.Para o representante, as companhias aéreas não têm nenhuma culpa pelos atrasos de vôos verificados nos aeroportos. "Os passageiros só podem reclamar dos funcionários das empresas por falta de informação", disse.Esta matéria foi alterada às 14h12 para acréscimo de informações.

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