Aeronáutica pode fazer novo aquartelamento se houver greve

O Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, confirmou nesta terça-feira que, se houver indícios de que os controladores de vôo podem fazer algum tipo de paralisação ou restringir pousos e decolagens, ele mesmo determinará o aquartelamento de todos os militares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, para garantir a normalidade dos aeroportos do País. Como as informações obtidas pela Aeronáutica são de que a greve dos controladores poderá ocorrer a partir do dia 23, antevéspera do Natal, o comandante da Força disse que o planejamento realizado determinará o aquartelamento do pessoal já na sexta-feira, dia 22, preventivamente, para evitar o problema. As confirmação de Bueno foi dada nesta terça-feira a parlamentares que integram a comissão especial do Senado formada para acompanhar a crise no setor aéreo. O plano de novo confinamento dos militares, divulgado com exclusividade na segunda-feira pelo Estado, foi confirmada pelo senador Sibá Machado (PT-AC) assim que terminou a reunião de mais de duas horas entre os senadores e Bueno. A informação do novo aquartelamento foi reiterada também pelos demais parlamentares que participaram do encontro - Jefferson Peres (PDT-AM), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Ney Suassuna (PMDB-PB). Equipamentos defasadosNa conversa com os senadores, o comandante da Aeronáutica assegurou, também, que os equipamentos de controle de vôo do País "estão desatualizados". Bueno explicou ainda, de acordo com relato do senador Sibá, que estes equipamentos, deveriam ter sofrido "duas modernizações, mas elas não foram feitas". Referindo-se à falta de iniciativa e de planejamento da Aeronáutica para evitar envelhecimento dos equipamentos e falta de pessoal nos últimos anos, que resultou no caos aéreo dos últimos meses, o senador Sibá justificou que, "de certa forma, o Brasil estava um pouco acomodado". Na quinta-feira passada, em entrevista coletiva à imprensa, Bueno declarou que os equipamentos do Cindacta-1 "estavam bastantes desgastados, inclusive o software, desatualizado". Depois, quando os jornalistas pediram mais detalhes, ele se corrigiu, alegando que "não falou que estava desgastado e que foi uma falha de comunicação", pedindo, em seguida, desculpas pelo equívoco, agora confirmado ao senador. "O sistema de eletro-eletrônica, no mundo, tem alta velocidade de inovações, e o nosso está de seis anos atrás", disse o comandante ao petista Sibá Machado.AquartelamentoApesar de o comandante da Aeronáutica dizer aos senadores que os equipamentos, que estão em fase de aquisição, só estarão em funcionamento em pelo menos seis meses, o brigadeiro Bueno garantiu aos parlamentares que não haverá problemas nas festas de Natal e final de ano. "Dou minha palavra que não haverá problemas", declarou Bueno, segundo o senador Ney Suassuna, esclarecendo que os controladores "estão motivados". O senador Antonio Carlos Magalhães, inimigo político do ministro da Defesa, Waldir Pires, depois de reiterar que o comandante "deu todas as garantias que, durante as festas de natal e Ano Bom, não haverá a menor possibilidade de crise no espaço aéreo", ressalvou: "se o ministro pediu para rezar (para chegar ao fim do ano sem crise nos aeroportos), eu acho que é uma coisa boa todos rezarem, porque sou católico".Ao falar sobre a determinação do comandante de assegurar o bom funcionamento dos aeroportos no final do ano, o senador Sibá relatou as afirmações do brigadeiro Bueno. "O comandante falou que se for necessário vamos fazer novo aquartelamento ele fará. É uma decisão já tomada pelo comando", declarou o senador Sibá, esclarecendo que a Aeronáutica, no entanto, está conversando com os controladores e acredita que eles não fariam qualquer mobilização que prejudicasse o tráfego aéreo, "porque seria um confronto com a população brasileira". Segundo Sibá Machado, "o comandante deixou claro que a população não terá mais prejuízos daqui para a frente e a gente acredita nisso". A Aeronáutica disse que em seus manuais não existe a palavra "aquartelamento". Esclareceu, no entanto, que na legislação militar há previsão legal, em diferentes graduações, para a convocação de seu pessoal para o trabalho, para garantir o funcionamento de todos os setores da Força.Estas regras, que permitem a reunião de seu efetivo, de imediato, para a realização de determinadas missões, vão desde plano de reunião, como os dois que aconteceram no Cindacta-1 nos dias 2 e 14 de novembro, passando por sobreaviso e prontidão parcial e total, evitando falar especificamente sobre a convocação para o próximo dia 22.Já o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, afirmou que "a Aeronáutica está querendo implantar o terrorismo junto à sociedade por não ter tido competência para evitar a crise e, depois, resolvê-la rapidamente". Botelho assegurou que não há nenhuma mobilização por parte dos controladores para prejudicar a população, mas advertiu que os problemas que existiam, de falta de pessoal e envelhecimento dos equipamentos, ainda não foram resolvidos.Para o senador Jefferson Peres, "houve uma clara falha de planejamento", já que as autoridades aeronáuticas não se preparam para acompanhar o crescimento do tráfego aéreo. "O comandante achou que os equipamentos nunca falhariam", comentou o senador, ao declarar que o brigadeiro Bueno disse que "só agora estava sendo informado" dos problemas do setor aéreo. Segundo Jefferson Peres, o comandante avisou que "não vacilará em fazer outra convocação dos controladores", se isto for necessário para assegurar normalidade no tráfego aéreo.Na próxima quinta-feira uma nova reunião com os senadores será realizada na Aeronáutica, desta vez contando com a participação de outros segmentos do setor aéreo, como ANAC, Infraero, e os próprios controladores. Ontem, mais uma reunião foi realizada na Defesa, para discutir possíveis soluções para o setor, assim como uma nova carreira civil para os controladores.

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