Aeronáutica remaneja controladores para superar crise aérea

O Comando da Aeronáutica vai transferir para Brasília, nos próximos dias, controladores de vôos de outros lugares do País para suprir a deficiência de profissionais na capital federal. Por causa da queda do Boeing da Gol, no dia 29 de setembro, que causou a morte de 154 pessoas, oito controladores de vôos que estavam de plantão no momento do acidente foram afastados, em obediência a uma norma internacional.A escassez desses profissionais e um maior número de aviões particulares pousando, decolando ou passando por Brasília, nos últimos dias, foram as causas apontadas, nesta quinta-feira, 26, pelo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, para o aumento dos atrasos de vôos e dos tumultos nos embarques de passageiros nos principais aeroportos do País. E a saída encontrada para resolver o problema, no curto prazo, foi um remanejamento de controladores.Os transtornos dos passageiros nos aeroportos, nos últimos dias, foram assunto de uma reunião realizada na tarde desta quinta, no Palácio do Planalto, entre a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente da Infraero, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luís Bueno, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e o chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, brigadeiro Paulo Roberto Cardoso Vilarinho.Pereira relatou, ao final do encontro, que "foi uma reunião técnica" em que se fez um diagnóstico dos motivos do agravamento da situação nos aeroportos e se buscaram soluções. "Por algum fenômeno aleatório, que pode ser mais turismo ou compromissos de campanha, houve um aumento excepcional de aviões pequenos, particulares e não regulares", informou o presidente da Infraero.Ele explicou que, por motivo de segurança e como norma internacional, os controladores de vôos não podem ter em sua tela mais de 14 aeronaves ao mesmo tempo. "E, quando isso chegou perto de acontecer, o controle de fluxo precisou intervir, atrasando algumas decolagens ou pousos, para não haver sobrecarga dos controladores de vôo", disse Pereira. Segundo ele, isso ocorreu na quarta, 25, e em outros "três os quatro dias da semana passada." O reflexo dessas retenções foram atrasos de vinte minutos a duas horas nas operações em aeroportos de Brasília e Congonhas (SP).Segundo Pereira, outra ação imediata será da Anac, que vai monitorar mais de perto os planos de vôo dos aviões particulares para impedir concentrações em alguns horários. "Ninguém será impedido de voar, mas, se houver necessidade, algumas aeronaves poderão ter que mudar de horário", avisou o presidente da Infraero.Ele informou ainda que, no médio e longo prazos, a Aeronáutica vai desenvolver um projeto de redivisão dos setores do espaço aéreo, de forma a ampliar o número de profissionais e os equipamentos de segurança. Segundo o brigadeiro, isso vai exigir investimentos altos. Ele estimou que, para criar um novo setor de controle de vôo, por exemplo, seriam necessários entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões em investimentos.

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