Aeroporto de Paris em choque

Parentes são atendidos em centro de crise montado pelo governo francês no Aeroporto Charles de Gaulle

Andrei Neto e Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

A notícia do desaparecimento do Airbus A330-200 no Oceano Atlântico chocou brasileiros que aguardavam para retornar ao Brasil na tarde de ontem, no Aeroporto Internacional de Roissy-Charles de Gaulle. O acidente perturbou horários de decolagem e provocou grande movimentação de jornalistas e familiares no terminal 2D, onde a célula de crise foi montada pelo governo francês. Luiz Carlos Machado, de 40 anos, funcionário público de Criciúma, Santa Catarina, foi um dos mais assediados pela imprensa internacional. Há uma semana, ele havia tomado o mesmo voo da Air France e, ontem, embarcaria no trajeto equivalente de retorno. "Quando cheguei ao aeroporto, recebi um telefonema de um amigo contando do desaparecimento. Eu fiquei branco, não sabia o que fazer, nem para quem ligar", lembra Machado. "Uma conhecida, Deise Possamai, também funcionária pública em Criciúma, estava neste voo. Ela vinha passar um mês em Milão", disse o policial civil, que tinha o passaporte na mão e a passagem da Air France no bolso.No mesmo saguão, a brasileira Aida Milani Rodrigues, de 59 anos, aguardava para embarcar. "Estou com medo, claro, mas preciso voltar. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar", disse.Aida, mora em Campinas, chegou há 30 dias em Paris, onde visitou sua filha, e voltaria em um voo da TAM para São Paulo.A alguns metros do saguão, no interior do centro de crise, a cônsul-geral do Brasil em Paris, Maria Celina Rodrigues, prestava apoio aos familiares de brasileiros que estavam no voo. No local, uma ampla estrutura de apoio foi montada pelo governo francês, com 15 médicos e psicólogos, uma centena de funcionários da Air France e até religiosos.Maria Celina se encontrou com três familiares brasileiros: um jovem que aguardava a mulher e o filho, um idoso que esperava pela mulher e outro jovem que receberia o primo. "As pessoas estão em estado de choque. Vemos no rosto de cada um uma dor profunda", testemunhou.Segundo a diplomata, não apenas o governo francês trabalha no centro de crise. O Itamaraty também presta atendimento aos familiares. "A partir de agora, cada vez mais nós seremos úteis, agilizando documentos e quaisquer papéis que essas pessoas precisem." Ao longo de todo o dia, dezenas de policiais protegiam os parentes do contato com a imprensa, garantindo a privacidade. Os poucos que transitaram em meio aos jornalistas não aceitaram conversar. No início da noite, eles foram levados a hotéis da região do aeroporto, onde continuariam recebendo atenção médica e psicológica, além de informações das buscas.De acordo com a legislação francesa, os nomes das vítimas só serão divulgados com a autorização do Ministério Público. LUGARES PARA A FAMÍLIAA Air France ofereceu ontem $ 300 para os passageiros que se dispusessem a ceder lugar a franceses que desejassem embarcar para o Brasil e acompanhar o resgate do Airbus 330 que desapareceu na costa brasileira. O jogador de vôlei de praia, Pedro Cunha, estava na sala vip da Air France no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, na tarde de ontem aguardando para embarcar de volta para o Rio de Janeiro no voo das 19 horas (em Brasília). Como precisava voltar, acabou recusando a oferta da empresa. Cunha, que voltava de etapa do circuito do campeonato mundial de vôlei de praia disputada na Polônia, estava preocupado com as condições climáticas no trajeto. "Como essa é uma das hipóteses da queda do avião foram as más condições climáticas na rota entre França e Brasil, isso nos deixa apreensivos."

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