Aeroporto tem 54 vôos desviados para Cumbica

Chuvas forçaram o fechamento da pista auxiliar de Congonhas por quatro vezes durante o dia

O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2024 | 00h00

Cancelamentos de vôos e transferências de pouso do Aeroporto de Congonhas para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas, provocaram irritação e revolta em passageiros ontem. A advogada Mariana Vitório Alves, de 28 anos, estava revoltada com o cancelamento do vôo da Varig que a levaria de Congonhas para Porto Alegre (RS). Ela se casou no sábado e pretende passar quatro dias em lua-de-mel na Serra Gaúcha. "Disseram para aguardar no aeroporto, mas ninguém faz nada", disse, transtornada. "A lua-de-mel perdeu a graça e não há dinheiro que pague a raiva que estou sentindo." Também em Congonhas, o empresário português Jaime Alves, de 39 anos, que mora em Paris, comparou o serviço dos aeroportos europeus com o dos brasileiros. Ele reclamava da TAM, que o levaria para Porto Seguro (BA), e se recusava a pagar hospedagem e alimentação. "Sorte das companhias aéreas que o brasileiro é pacífico. Se fosse na França, todos estariam protestando." A secretária Camila Carneiro, de 26 anos, chorava à porta do salão de desembarque. Ela esperava notícias de seu filho de 7 anos, que viajava sozinho num vôo procedente de Brasília. Ele deveria ter chegado às 11h30 e, uma hora depois, ela não tinha informações do menino. "Ninguém me informa nada, não dizem se ele pousou ou onde pousou." Somente meia hora depois, funcionários da TAM deram a boa notícia: o avião com o filho de Camila tinha pousado em Ribeirão Preto e estava a caminho de Congonhas. O supervisor comercial Andrius Bisolo, de 26 anos, e dois colegas vieram de Porto Alegre e deveriam ter descido em Congonhas, mas o avião pousou em Cumbica às 18h30. O trio buscava informações sobre as conexões para Vitória, Belo Horizonte e São José do Rio Preto. "A gente já não marca mais compromisso de trabalho para o dia em que viaja", disse Bisolo. "Enfrento isso (crise aérea) há dez meses, e só existe um responsável: a falta de governo", afimou a advogada que se identificou apenas como Ana, ao chegar ontem em um vôo vindo de Porto Alegre que pousou em Cumbica em vez de Congonhas. Acompanhada da filha adolescente, ela contou que viaja duas vezes por semana a São Paulo e tinha muitos conhecidos no vôo da TAM. "Morreram oito colegas advogados. "

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