Aeroportos argentinos reabrem após nova paralisação por vulcão

Os dos principais aeroportos da Argentina voltaram a operar na noite de segunda-feira depois que a nuvem de cinzas do vulcão chileno que há nove dias prejudica o tráfego aéreo no Cone Sul sul-americano se dispersou.

REUTERS

13 de junho de 2011 | 20h04

As companhias estatais Aerolíneas Argentinas e Austral disseram que têm previsão de retomar suas atividades com a chegada de um voo às 20h (horário de Brasília) no maior aeroporto internacional do país. A primeira decolagem está prevista para 21h.

Os aeroportos que atendem Buenos Aires, que já tinham sido afetados ao longo de toda a semana passada, foram fechados na tarde de domingo devido às cinzas, que fecharam o espaço aéreo na região central da Argentina. Segundo previsões meteorológicas, os ventos poderiam levar a nuvem a cobrir nos próximos dias toda essa região do país.

O fechamento do aeroporto internacional de Ezeiza e do aeroporto central Jorge Newbery, na área metropolitana de Buenos Aires, repercutiu principalmente no Chile e no Brasil, onde as companhias aéreas LAN, TAM e Gol cancelaram vários voos para a capital argentina.

O aeroporto de Montevidéu, no Uruguai, também foi afetado e milhares de passageiros de ambos os lados do rio da Prata foram prejudicados, entre eles o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, cujo avião precisou aterrissar a 800 quilômetros de Buenos Aires.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que Ban comeu alfajores no café da manhã em um posto de gasolina em Rosario, a 300 quilômetros de Buenos Aires, durante a viagem de carro até a capital.

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, também foi prejudicado pelo fechamento dos aeroportos e precisou viajar de barco de Montevidéu a Buenos Aires, uma viagem que demora três horas e que de avião seria de 35 minutos.

Até o mercado cambial argentino foi afetado em sua liquidez, já que o cancelamento dos voos impediu a chegada de cédulas de dólares e o Banco Central precisou cobrir necessidades específicas, de acordo com operadores.

O complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle entrou em erupção há nove dias, lançando uma nuvem de fumaça e cinzas que cobriu diferentes cidades e começou a se dirigir para noroeste por efeito do vento, chegando inclusive ao sul do Brasil.

Cidades cordilheiras argentinas como San Carlos de Bariloche e Villa La Angostura estão cobertas pelas cinzas, que mudaram a cor das águas tradicionalmente azuis de seus lagos.

As duas cidades turísticas estavam praticamente vazias devido ao fechamento dos aeroportos, as aulas foram suspensas e a imprensa local afirmou que a população encontra dificuldades para conseguir combustível a poucos dias do início da temporada de inverno.

As autoridades decretaram emergência agropecuária na região em consequência das cinzas.

(Por Guido Nejamkis, com reportagem adicional de Jorge Otaola, em Buenos Aires; e de Giovanna Fleitas, em Montevidéu)

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