Aeroportos têm atrasos e Anac investiga overbooking

Agência começa auditoria para saber se empresas venderam mais passagens

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h17

O movimento dos dois principais aeroportos paulistas pode ser considerado normal na manhã desta segunda-feira, 2, apesar de alguns atrasos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) faz auditoria nesta segunda para saber se empresas praticaram overbooking e causaram atrasos no fim de semana.De acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), dos 623 programados da zero hora até 10 horas, 126 tiveram atrasos iguais ou superiores a uma hora, o que corresponde a 20,2%, e outros 48 foram cancelados, ou seja, 7,3%.O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, que chegou a ter quase metade dos vôos fora do horário programado no fim de semana, registrou 12 vôos atrasados e quatro cancelados entre os 87 vôos previstos para até às 10 horas.Em Congonhas, a situação também era tranqüila, apesar dos atrasos registrados em 16 dos 73 vôos programados e dos sete cancelamentos. Durante o fim de semana, os passageiros enfrentaram longas filas nos aeroportos do País. O índice de atrasos superiores a uma hora chegou a 34,2% dos 1.620 vôos entre meia-noite e 22 horas e o de cancelamentos, a 9,8%.Mau tempoPara a Infraero, o problema do fim de semana foi causado pelos nevoeiros que afetaram aeroportos desde sexta-feira e estaria solucionado nesta segunda. Mas a Anac vai investigar a hipótese de erros operacionais das companhias aéreas terem agravado a situação, com overbooking ou um cronograma de vôos muito apertado, sem previsão de reserva de aviões e pessoal para atender a imprevistos.Nesta segunda, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, ficou fechado entre 5 e 7h40 desta segunda-feira, 2, em razão de um forte nevoeiro na capital do Rio Grande do Sul. Desde retomada das operações, os pousos e decolagens ocorriam por meio de instrumentos. Segundo a Infraero, o terminal registrou duas aterrissagens com atrasos, vindos de Cumbica e Rio de Janeiro, e seis cancelamentos - três pousos e três decolagens. No Rio de Janeiros, os aeroportos Antonio Carlos Jobim - Galeão e Santos Dumont operavam normalmente.CaosNa sexta, em um levantamento feito no Rio pela Aeronáutica sobre os 26,5% de vôos com problemas, as responsabilidades ficaram assim distribuídas: 13% dos casos foram atribuídos a problemas meteorológicos; 10% às companhias (por vendas de passagens em excesso, panes etc); e 2,65% a "excesso de tráfego aéreo". A Superintendência de Serviços Aéreos da Anac vai começar a auditar nesta segunda as vendas de passagens. Entre as hipóteses a serem apuradas está a de que houve excesso de oferta de assentos por conta do início das férias de julho e pelo ganho operacional previsto com a liberação da pista principal do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista.A Anac admitiu, porém, que a infra-estrutura precária usada para desafogar aeroportos como Congonhas e Cumbica tem ajudado pouco no combate ao caos. O caso mais flagrante ocorreu na sexta, em Viracopos, Campinas, para onde foram transferidos vôos da capital. Num determinado momento, à noite, Viracopos tinha 22 aviões no pátio e só cinco escadas para servir aos passageiros de todos os vôos.Controle aéreoA Aeronáutica afirmou que o sistema de controle de tráfego aéreo funcionou normalmente. Ela só se responsabilizou pelos problemas causados pela pane no software de planejamento dos vôos em Cumbica, às 11 horas de sábado. O problema durou 20 minutos e provocou atrasos em cascata. Mas fontes da Aeronáutica disseram que algo mais aconteceu desde sexta para provocar tantas demoras e cancelamentos de vôos.Procurada pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da TAM afirmou que a companhia trabalha com reserva técnica de dois a três aviões nos aeroportos estratégicos, como Congonhas e Cumbica.A Assessoria de Imprensa da Gol informou que a companhia tem aeronaves-reserva para momentos de emergência, mas com o impacto na malha por causa do fechamento de Congonhas (na sexta) e problemas em Cumbica por causa do nevoeiro, não foi possível operar normalmente. "Com o aeroporto fechado, nem os aviões-reserva têm condição de ajudar a solucionar o problema."Texto ampliado às 11h03 para acréscimo de informações.(Colaboraram Tânia Monteiro, Alexandra Penhalver, Alexssander Soares, Bruno Moreschi, Carlos Mendes, Monica Bernardes, Júlio Cesar Lima e Carmen Pompeu, do Estadão.)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.