Aeroportos têm situação tranqüila nesta segunda-feira

Depois de um feriado de Páscoa tranqüilo nos aeroportos do País, com poucos atrasos e cancelamentos, a manhã desta segunda-feira, 9, registrou apenas 12,5% de vôos com atrasos de mais de uma hora, durante o período de meia-noite até as 10 horas. Segundo boletim divulgado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), dos 641 vôos programados para este período, 80 tiveram horários alterados e 11 deles foram cancelados em todos os aeroportos. O Aeroporto internacional de Confins, em Minas Gerais, teve o maior percentual de atrasos, chegando a 22,2%; quatro vôos, dos 18 previstos, tiveram mudanças de horários, mas nenhum vôo foi cancelado. Em São Paulo, o Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, registrou dois cancelamentos e quatro atrasos, de um total de 92 vôos. A situação também era tranqüila no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica. Do total de 86 vôos previstos, 13 sofreram atrasos de mais de uma hora e dois vôos foram cancelados. Agradecimento Na manhã desta segunda-feira, em seu programa de rádio Café com o Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu aos controladores de vôo a situação tranqüila dos aeroportos durante o feriado. Lula atribuiu a uma relação "honesta e sincera" entre governo e a sociedade brasileira e os controladores a calmaria nos terminais. "Estou feliz com isso. Eu acho que todo mundo que viajou na Páscoa deve ter visto nos aeroportos que as coisas estão tranqüilas e é assim que precisa ser. Eu quero agradecer, portanto, a todos que contribuíram para que a gente tivesse uma Páscoa de tranqüilidade e dizer ao povo brasileiro que segunda-feira estaremos outra vez no Café com o Presidente", completou. De acordo com balanço da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), 5,5% dos vôos programados para o domingo, 8, entre meia-noite e 19 horas, registraram atrasos de mais de uma hora. Saída para a crise O caos no transporte aéreo do Brasil não é causado por falta de dinheiro, mas de planejamento e gestão. As decisões no setor têm sido tomadas de forma aleatória, sem uma política articulada a orientá-las, e sem um responsável de quem se possa cobrar resultados. De acordo com matéria publicada pelo Estado nesta segunda, a Infraero investiu R$ 2,19 bilhões entre 2004 e 2006 e tem previsto investir outro R$ 1 bilhão em 2007. Mas suas decisões não são tomadas com base em estratégia nacional. É por isso que os passageiros têm agora horas para admirar as paredes de mármore e deitar-se nos pisos de granito dos aeroportos, enquanto, por falta pistas e controladores, aviões não conseguem decolar nem pousar. ?O controle de tráfego aéreo sofre de um gap tecnológico de 20 anos?, estima o brigadeiro Adyr Leite, doutor em infra-estrutura aeroportuária e presidente no Brasil do Institut du Transport Aérien. Por São Paulo passa 40% do tráfego aéreo do País, mas nem Cumbica nem Congonhas possuem uma segunda pista em que possa haver pousos e decolagens simultâneos à outra existente. ?Houve priorização errada de investimentos?, diz Adalberto Febeliano, vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). Enquanto o tráfego aéreo cresce o triplo da economia, o número de controladores está estagnado. ?Cada controlador vem arrastando um crescimento de 10% a 15% ao ano?, diz Adyr Leite, ex-presidente da Infraero. O sindicato da categoria estima que são necessárias 500 novas vagas. Dez medidas para tirar o País do caos aéreo: » 1 - Fazer auditoria técnica independente, com participação de peritos estrangeiros, sobre os equipamentos, infra-estrutura e pessoal de controle do tráfego aéreo; » 2 - Subordinar o controle e tráfego aéreo e da infra-estrutura aeroportuária a uma Secretaria Nacional de Transporte Aéreo, com acesso à Casa Civil; » 3 - A Casa Civil deve estabelecer uma política para o setor e a nova secretaria deve elaborar um planejamento para executá-la - e ser cobrada dos resultados; » 4 - Proibir, por lei, o contingenciamento de recursos nos fundos setoriais, como o Aeronáutico e o Aeroviário; » 5 - Criar uma carreira única, civil, para os controladores de vôo, duplicar seus salários, abrir 500 novas vagas e limitar a jornada mensal de todos a 120 horas; » 6 - Acelerar a transição para o sistema CNT/ATM, de comunicações, navegação e vigilância por satélite, eliminar sombras de rádio, ampliar freqüências; » 7 - Construir uma pista que possa ser usada simultaneamente às já existentes em Guarulhos, Congonhas e Recife, duplicando a capacidade de operações. Aumentar o espaço para os aviões em Brasília; » 8 - Transferir todos os vôos em aviões executivos do aeroporto de Congonhas para o Campo de Marte; » 9 - Construir o 3º terminal em Guarulhos, ampliar o espaço de passageiros em Brasília e deixar que qualquer companhia use as áreas de check-in e check-out dos aeroportos; » 10 - Fazer trens expressos ligando Guarulhos e Viracopos à região central de São Paulo. Interligá-los com Congonhas, via metrô. Colaborou Lourival Sant´Anna.

Agencia Estado,

09 Abril 2007 | 11h00

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