Aeroviários vão retomar mobilização em janeiro; 30% dos voos estão atrasados

Presidente do Sindicato criticou decisão do Tribunal Superior do Trabalho de aplicar multa de R$ 100 mil por dia caso meta mínima de 80% dos funcionários trabalhando não fosse cumprida

Álvaro Campos - Agência Estado,

23 de dezembro de 2010 | 08h48

SÃO PAULO - Após a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que pelo menos 80% dos funcionários do setor aéreo não entrassem em greve, cujo início estava programado para hoje, continua o impasse entre os trabalhadores e as companhias aéreas sobre o reajuste salarial. Segundo o porta-voz do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Jorge Honório, por volta das 2 horas da madrugada os sindicatos dos empregados entraram em contato tentando retomar as negociações.

 

"Nós vamos conversar. Falou-se em um reajuste de 8%, que eles colocariam em votação na assembleia de hoje. Vamos ver o que dá para fazer em cima disso", comentou Honório. Já o presidente do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo (Saesp), Reginaldo Alves de Souza, disse que a categoria desconhece a proposta de reajuste de 8%, já que não recebeu nenhuma notificação oficial do sindicato patronal. "A assembleia realizada no começo da manhã suspendeu a paralisação. Mas vamos reiniciar a mobilização a partir do dia 3 de janeiro", explica.

 

Souza criticou a decisão do TST de aplicar uma multa de R$ 100 mil por dia caso os sindicatos não cumprissem a meta mínima de 80% dos funcionários trabalhando. "O TST tolheu nosso direito constitucional de greve. É uma mordaça na boca dos trabalhadores. O sindicato das empresas fez uma grande mobilização durante a madrugada para desmantelar nossa mobilização", afirmou. Segundo ele, funcionários de algumas companhias aéreas que operam no Aeroporto de Congonhas chegaram a dormir dentro de ônibus no pátio do aeroporto, para não serem impedidos de voltar para o trabalho hoje no caso de um possível piquete promovido pelo sindicato que, dificultaria a entrada deles.

 

No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, alguns trabalhadores chegaram a realizar protestos em frente aos balcões de check-in das companhias aéreas, mas nenhum funcionário foi impedido de trabalhar. Segundo Souza, em Congonhas não houve protestos porque o sindicato estava realizando outras atividades.

 

Uma das reclamações dos aeronautas é que muitos empregados estão se aproximando do limite máximo de horas de voo estabelecido pelas regras de aviação no Brasil. Mas de acordo com o porta-voz do Snea, as companhias aéreas vão funcionar normalmente nesse período de festas de fim de ano. "Os funcionários podem até atingir esse limite, eles só não podem ultrapassá-lo", explicou Honório.

 

Os aeronautas são os profissionais que trabalham nos voos (comissários, pilotos e copilotos) e os aeroviários são os que atuam em solo, como mecânicos e pessoal de check-in. Os aeroviários defendem 15% de reajuste salarial e os aeroviários, 13%, enquanto a proposta oficial das companhias aéreas é de 6,85%, considerando a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais meio ponto porcentual de ganho real.

 

Atrasos. Segundo o site da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dos 544 voos domésticos programados em todo o País da meia-noite de hoje até as 8 horas, 164 voos (30,1%) tiveram atrasos superiores a 30 minutos. No Aeroporto de Brasília, nove voos (50%) registraram atraso e um foi cancelado. No Galeão, no Rio de Janeiro, 34,6% dos voos tiveram atrasos e dois foram cancelados. No Aeroporto Santos Dumont, também no Rio, 11,5% das decolagens previstas registraram atrasos e houve três cancelamentos.

 

São Paulo. Em Congonhas, na zona sul de São Paulo, dos 32 voos programados, quatro (12,5%) tiveram atrasos e oito (25%) foram cancelados. Já em Guarulhos foram 12 atrasos (30%) e dois cancelamentos (5%), até as 8 horas.

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