Afastado diretor do Decap após veto a entrevistas

Delegacia-Geral alega que mudança servirá para aprimorar serviço nos DPs da capital; Aldo Galiano afirma que sai ?com a cabeça erguida?

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

O delegado Aldo Galiano Júnior não é mais o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Ele foi afastado ontem do cargo pelo delegado-geral de Polícia, Maurício Lemos Freire. No lugar dele, assume Marco Antonio Novaes de Paula Santos, ex-seccional de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Galiano ocupou as chefias das seccionais sul e leste da capital e ficou mais conhecido como um dos responsáveis pela investigação da morte de Isabella Nardoni, em 29 de março. Em nota oficial, a Delegacia-Geral de Polícia informou que "a mudança na direção do Decap visa a um aprimoramento ainda maior no atendimento à população nos distritos policiais"."Todo mundo tem direito a um excelente atendimento, altamente qualificado, de preferência com ?tapete vermelho?, sem distinção", diz a nota, citando o delegado-geral. O estopim para a saída de Galiano, porém, foi uma mensagem eletrônica enviada por ele para todos os distritos da capital. No documento, Galiano informava que, por ordens superiores, os delegados da Polícia Civil da capital só poderiam dar entrevistas à imprensa após consulta aos superiores hierárquicos, por escrito. Nesse documento, definia-se ainda que, sem essa resposta, em hipótese nenhuma poderia ser concedida entrevista. O texto advertia ainda que quem não cumprisse a determinação corria o risco de ser punido. A mensagem eletrônica foi enviada no dia 18 para todos os distritos da capital. Até ontem, nenhuma ordem em contrário havia sido dada. O Jornal da Tarde publicou a mensagem na edição de quarta-feira. Anteontem à noite, um delegado de classe especial informou que a determinação de proibir delegados de darem entrevista não partiu de Galiano, mas sim do delegado-geral. Galiano disse ao JT, depois de ser afastado do cargo, que jamais iria proibir alguém de falar com a imprensa. "Os delegados e outros policiais têm o direito de falar com a imprensa e divulgar as informações necessárias. Sempre defendi essa posição. Tenho 34 anos de carreira. Saio com a cabeça erguida. Vou tirar 90 dias de licença-prêmio e descansar." Procurado pela reportagem, o jurista Dalmo Dallari considera a determinação de proibir entrevistas inconstitucional. "O que se pode restringir é a transmissão de dados de investigações de interesse da sociedade. Mas proibir genericamente a entrevista é exagero. É tirar do delegado o exercício do direito à cidadania", ressaltou Dallari. O presidente da associação dos delegados do Estado (Adpesp), Sérgio Marcos Roque, disse que a categoria está amordaçada. "Parece ditadura. O policial civil e todo cidadão têm direito de opinar e de se expressar."

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