Afastamento de Berzoini divide Executiva Nacional do PT

Os membros da executiva nacional do PT ouvidos pela Agência Estado defendem o afastamento imediato de Jorge Lorenzetti, Valdebran Padilha, Oswaldo Bargas, Hamilton Lacerda e Expedito Veloso, petistas envolvidos na compra do dossiê contra tucanos. Mas há polêmica em torno do presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini.Como presidente eleito pela maioria dos filiados do partido, ele não pode ser destituído pela Executiva, a não ser por um processo ético. Todas as outras possibilidades de afastamento, com renúncia ou licença, dependem de decisão própria. A executiva do PT está reunida hoje em São Paulo para discutir questões ligadas às eleições.A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), membro da executiva nacional do partido, disse que sugerirá a Berzoini que se afaste da direção do partido. "Se ele me perguntar eu de fato vou dizer a ele que é melhor que o vice-presidente Marco Aurélio Garcia toque o partido neste período. Berzoini é um quadro importante do nosso partido, devemos preservá-lo, mas é preciso tocar a campanha agora. Isso é prioritário para nós", afirmou.Suplicy espera afastamentoO senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse esperar que Berzoini tome iniciativa de se afastar da direção do partido. "Pelo fato de ele ter dito, como o presidente Lula mencionou, que ele estaria, de alguma forma, conhecedor dos fatos - e ele disse que o que o presidente falou está falado. Se isso se confirmar, tendo conhecimento dos fatos e não sustado a operação, é de se esperar que ele próprio tome a iniciativa de afastar. É o que espero dele", comentou.Suplicy ressaltou ainda que o caso do dossiê tem de ser apurado. "Que eles contem exatamente o que aconteceu. Quem foi o responsável por solicitar que fossem feitas a iniciativas. É importante que o PT reúna todos os elementos desta história", afirmou.FardoO deputado estadual Renato Simões (PT-SP) também disse ser necessário que Berzoini esclareça os fatos para que a Executiva Nacional possa assegurar sua continuidade na direção do partido. Ele destacou que é fundamental que a comissão de ética petista funcione e dê satisfações aos membros do partido e à sociedade brasileira."Eu não acho que a situação pessoal dele é um peso para o partido. Mas os acontecimentos das últimas semanas antes das eleições, com certeza, são um peso, um fardo insuportável para a grande maioria dos militantes", considerou Simões. "Não quero antecipar minha avaliação pessoal, porque ele tem direito a se defender. Mas a situação dele é bastante delicada e ficaria insustentável, caso a argumentação não seja mais substanciosa do que aquela que já foi dita publicamente", finalizou.O secretário de Relações Internacionais do PT, Walter Pomar, não quis exprimir sua opinião. "A decisão depende do que ele vai falar à direção do partido e de como a direção do PT vai entender, compreender, aceitar ou não os esclarecimentos de Berzoini", afirmou. "Eu tenho uma opinião sobre isso, mas vou manifestá-la na direção. Acho que é o mais adequado", disse.Fora da pautaO coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PT, Gleber Naime, negou que o afastamento de Berzoini será discutido na reunião desta sexta-feira. "Isso não está em discussão. O presidente foi eleito diretamente pelos filiados do PT e vem conduzindo o partido bem. Entendemos que o PT tem de se preparar para ganhar as eleições no segundo turno", afirmou.O secretário de Mobilização do PT, João Felício, o deputado eleito Gilmar Tatto e o vice-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia já chegaram para a reunião da executiva nacional, mas não quiseram falar com a imprensa.Comissão de ÉticaO deputado federal Arlindo Chinaglia defendeu a abertura de comissão de ética para todos os envolvidos que já tiverem admitido o envolvimento no episódio ou que esteja comprovada participação. "Comissão de Ética, imediatamente", disse Chinaglia.Em relação ao caso específico de Berzoini, Chinaglia afirmou que um pedido de afastamento do cargo pode ser uma alternativa, caso o presidente do PT avalie que a presença de seu nome na lista dos envolvidos esteja atrapalhando a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. "É um avaliação que cabe a ele, evidentemente. É claro que, se a presença dele for analisada por ele como uma coisa que atrapalhe a candidatura, pode ser uma boa medida. Agora, é difícil a gente responder por aquilo que é da consciência de cada um."Chinaglia disse ainda que o PT deve explicações sobre o casso do dossiê Vedoin, que, até agora, não foram dadas. "Eu avalio que os membros da Executiva têm que vir a público e dar as explicações devidas."Na avaliação do deputado, a tendência é que, no atual momento, os militantes envolvidos no episódio, limitem-se a falar apenas sob orientação dos advogados. "Do ponto de vista político, é um desastre", afirmou. "Politicamente, o PT não pode ficar refém da estratégia de defesa de cada um dos envolvidos."O deputado admitiu que o episódio do dossiê foi fundamental para levar a eleição presidencial a uma segunda etapa de votação. "O óbvio ficou estabelecido. O dossiê tirou a vitória do presidente Lula no primeiro turno", avaliou.ReeleiçãoA líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), preferiu não se aprofundar em avaliações sobre o futuro de envolvidos no caso da tentativa de compra do dossiê contra os tucanos. Segundo ela, a única prioridade que deve guiar as discussões no atual momento é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Agora, a prioridade zero é reeleger o presidente Lula", disse a senadora, acrescentando que o PT deve fazer de tudo para que isso aconteça.Questionada se Berzoini deve deixar o cargo, Ideli avaliou que é preciso buscar a melhor alternativa para não abalar a candidatura presidencial, seja ela conduzir a discussão sobre o futuro dos petistas envolvidos ou descartar esse debate por enquanto. "Se esta discussão ficar se reproduzindo durante dias, semanas, atrapalhando o processo eleitoral, devemos rechaçar esse tipo de debate", destacou.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2006 | 11h47

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