Afastamento de policiais causou `terremoto´, diz pesquisador

Acusados de receber propina, 20 investigadores foram afastados da polícia

Agencia Estado

19 de junho de 2007 | 11h05

A decisão de afastar cerca de 20 investigadores que ocupam cargos de chefia nos distritos policiais de São Paulo provocou um terremoto na Polícia Civil. A opinião é do pesquisador Guaracy Mingardi, autor do livro Tiras, Gansos e Trutas, sobre o funcionamento da Polícia Civil de São Paulo.A medida foi tomada após o Estado revelar que 84 dos 93 DPs da cidade estavam na mapa da propina feito pelo advogado de donos de caça-níqueis e bingos Jamil Chokr. Homens de confiança de delegados titulares, os policiais afastados tiveram seus nomes encontrados no dia 25 em anotações de Chokr, após ele bater o carro. No veículo, também havia R$ 27 mil e 31 envelopes com dinheiro endereçados às delegacias.Mingardi não se manifestou sobre as investigações do caso dos papéis apreendidos com Chokr, mas disse que, se comprovada a denúncia, ela seria em tudo igual ao antigo esquema de recolhe de dinheiro do jogo do bicho.Mingardi é dos poucos pesquisadores que conhecem os meandros da polícia. Ele foi investigador entre 1985 e 1987, experiência fundamental para seu mestrado, que deu origem ao livro. Desde 1994, não ocorre na Polícia Civil uma quantidade tão grande de afastamentos. Naquele ano, as denúncias do ex-informante policial José Gonzaga Moreira, o Zezinho do Ouro, derrubaram 42 policiais, a maioria delegados.Desta vez, os afastamentos só atingem investigadores. Homens de confiança dos delegados titulares dos DPs, eles deixarão as funções de chefia e passarão para cargos burocráticos. Não se trata de punição, segundo o delegado-geral, Mário Jordão Toledo Leme, mas de medida que visa garantir a transparência da investigação.CríticasA decisão causou descontentamentos. "Para afastá-los, deviam dizer os nomes. O açodamento da medida pode levar a injustiças", afirmou José Leal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo. Ele criticou o governo pela falta do reajuste salarial da categoria, pois as dificuldades financeiras, ligadas às tentações do dia-a-dia do policial, podem induzir alguns à corrupção. Também lamentou o possível envolvimento de policiais com a máfia do jogo. "Nada está provado, mas existe uma fumaça muito ruim.".O presidente do sindicato dos Investigadores, João Batista Rebouças, disse que a decisão do governo foi precipitada. "Não compactuamos com o erro. Defendemos a apuração rigorosa, mas primeiro se devia apurar para depois afastar."

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