Afirmação de espanhol sobre Graziano acirra disputa na FAO

O candidato brasileiro para a direção da FAO, José Graziano, não é visto como imparcial e pode apenas defender os interesses exportadores do Brasil se assumir o cargo. A afirmação foi feita ontem pelo candidato espanhol para o posto, Miguel Angel Moratinos, e acirrou a competição pela direção da FAO.

Jamil Chade / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

Cada candidato foi sabatinado ontem, em Roma, pelos 191 membros da entidade. Graziano pegou carona no programa Fome Zero e na popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para impressionar os eleitores. Garantiu que trabalhará "com todos" e pregou o fim do racha entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A eleição está marcada para os dias 25 de junho e 2 de julho. Para o governo brasileiro, a corrida pelo posto se transformou em uma das prioridades da diplomacia nesse primeiro semestre. Nos últimos oito anos, o Brasil disputou mais de dez postos de direção nas organizações internacionais e foi derrotado em todos.

Além de Graziano e Moratinos, tidos como favoritos, outros quatro candidatos estão no páreo. O espanhol admite que Graziano é um dos "principais rivais", mas alertou que há dúvidas sobre o que Graziano defenderá quando assumir o poder. "Ele é visto com medo porque representa os interesses particulares do País", afirmou. Segundo Moratinos, Madri não compartilha desse sentimento e essa seria a percepção de outros países.

Em seu discurso, o brasileiro tentou mostrar que, por ter ficado 25 anos ao lado de Lula como conselheiro, sabe a importância de "construir consenso". Questionado sobre o impacto do etanol na fome no mundo, insistiu na questão do meio ambiente como uma de suas prioridades.

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