Facebook/Reprodução
Facebook/Reprodução

Africano vai parar em Goiânia ao tentar viajar para a Guiana

Pronúncia fez professor ganense comprar passagem para destino errado; confusão pode fazê-lo perder bolsa de curso de Medicina

Marília Assunção, Especial para o Estado

23 de fevereiro de 2015 | 12h15

GOIÂNIA - Um problema de pronúncia pode ter sido a causa do fracasso na viagem dos sonhos de um professor de Ciências Biológicas de Gana, na África. Em vez de desembarcar na Guiana, país que fica na divisa com Roraima e Pará, o professor Emmanuel Akomanyi, de 29 anos, veio parar em Goiânia, capital de Goiás. Agora, sem dinheiro para concluir a viagem, ele corre o risco de perder uma bolsa de estudos para fazer Medicina na Universidade de Georgetown.

O professor só descobriu que tinha voado para a cidade errada quando já estava em Goiânia, dentro do táxi. Ao indicar a universidade situada na capital da Guiana, Emmanuel foi informado pelo motorista, que lhe apontava em um mapa, de que ele estava no centro do Brasil e não no norte da América do Sul, muito longe de onde veio parar.

A história chamou a atenção no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, com pessoas se mobilizando para ajudar o rapaz. O professor é órfão de pai e mãe e cuidava sozinho de quatro irmãos mais novos em Gana. Ele havia economizado por cerca de dois anos para viabilizar a viagem.

Emmanuel acabou acolhido em Goiânia por conhecidos de uma jornalista que o conheceu ao fazer a reportagem sobre o caso. Segundo Janine Rahe, a confusão ocorreu há cerca de dez dias, quando ele fazia uma conexão no Brasil. Foi quando o professor comprou na Visão Turismo, agência que funciona no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, uma passagem para a Guiana.

Procurada nesta segunda-feira, 23, a agência solicitou ouvir o advogado da empresa, mas a ligação caiu na caixa de recados e ele não retornou. À TV Anhanguera, a Visão Turismo havia sustentado de que o engano partiu de Emmanuel. Também foi informado de que a agência opera há oito anos em Cumbica e que todos os funcionários falam inglês.

Em entrevista à emissora, o rapaz mostrou dificuldade em pronunciar a palavra "Goiânia" e disse que não sabia de sua existência, apenas de "Guiana".

"O coitado ganhou a bolsa de estudos, deixou os irmãos em Gana e veio, mas se ele não embarcar até sábado (28), pode perder a matrícula na universidade", alertou a jovem.  

Junto com a dona de casa Lourdes Ricardo, que hospedou Emmanuel provisoriamente, Janine está mobilizando pessoas para ajudar o rapaz. Ela está encaminhando o professor para vários meios de comunicação para divulgar o drama do africano e ainda disse que espera uma manifestação da Embaixada de Gana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.