Agência discorda de pilotos sobre acidente da Air France

Sindicato aponta que autoridades francesas e a fabricante do avião subestimam falha nos sensores de velocidade

Agência Estado,

05 de outubro de 2009 | 15h37

A agência de investigação de acidentes aéreos da França (BEA, na sigla em francês) rechaçou, nesta segunda-feira, 5, alegações de pilotos da Air France de que defeitos em sensores de velocidade foram a causa do acidente que matou 228 pessoas no Oceano Atlântico. A queda do voo 447, que partiu do Rio de Janeiro e seguiria até Paris, ocorreu em 1º de junho.

 

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"A investigação está avançando, mas é particularmente difícil porque é muito cedo para se poder descrever as circunstâncias do acidente ou, menos ainda, tentar explicá-lo", afirmou a BEA em comunicado. O texto foi resposta a uma reportagem de um jornal francês, divulgada no domingo, segundo a qual o sindicato de pilotos Spaf pretende apresentar seu próprio relatório sobre o desastre, nesta semana.

 

As conclusões dos pilotos contradizem as da BEA, que disse que os sensores de velocidade, chamados pitots, eram um fator, mas não a causa principal do acidente de junho, segundo o Journal du Dimanche. O sindicato suspeita da fabricante do avião, a Airbus, da Air France, das autoridades de aviação civil e da Agência de Segurança da Aviação Europeia, entre outras, por subestimarem os problemas com esses sensores.

 

O relatório dos pilotos argumenta que todos os órgãos e empresas sabiam dos problemas com os pitots nos últimos 14 anos. Segundo o jornal, o sindicato acredita que, se houvesse a troca dos sensores, o acidente provavelmente teria sido evitado.

 

A Air France também reagiu à reportagem, afirmando que conclusões foram tiradas sobre as causas do acidente e divulgadas "por um sindicato da minoria dos pilotos e por um piloto aposentado de outra companhia". A empresa lembrou que, além da investigação da BEA, há outra em andamento de um magistrado francês "para identificar as potenciais responsabilidades legais".

 

Antes da queda do avião, em meio à forte chuva, foram enviados vários sinais automáticos indicando falhas nos sistemas. As caixas-pretas do Airbus A330 não foram encontradas, mas investigadores franceses já disseram em um relatório que problemas nos sensores de velocidade não são a única explicação para o fato.

 

A agência europeia de segurança aérea e a Airbus aconselharam as companhias aéreas após o acidente a substituírem os pitots franceses usados no avião acidentado por um modelo norte-americano, mais confiável. A BEA informou nesta segunda-feira que pretende divulgar um relatório parcial sobre o caso antes do fim do ano. Mas a agência já disse que deve demorar mais de um ano até que seu relatório final seja concluído.

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