Agência europeia pode forçar troca de sensor

Órgão de segurança publicou boletim para pilotos, com recomendações para casos de falhas, mas insistiu que os modelos da Airbus são ?seguros?

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

A Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa) admite que poderá emitir uma ordem para que todas as empresas modifiquem os sensores de velocidade em aviões fabricados pela Airbus. Ontem, a entidade publicou um boletim de segurança para os pilotos e operadores, indicando o que deve ser feito em caso de falha em pleno voo. Mas insistiu que os aviões da Airbus são "seguros". Ontem mesmo, uma série de empresas iniciou a reposição de sensores, incluindo a Swiss.Investigações teriam levantado a suspeita de que parte da explicação para a queda do avião da Air France que fazia a rota Rio-Paris, há uma semana, estava relacionada com os sensores do jato. Antes de qualquer polêmica, e para evitar problemas com pilotos, a empresa suíça anunciou que estava voluntariamente substituindo os chamados pitots nos oito A330 da frota. E deixou claro que não há uma determinação obrigando a mudança da aparelhagem. A Swiss insistiu que os sensores foram utilizados nos últimos dez anos pelos aviões da companhia e, em apenas uma ocasião, problemas foram identificados. US Airways e a Aer Lingus também anunciaram a troca. Já a Delta e Brussels garantem ter começado a fazer as trocas antes da tragédia. Da mesma forma, Air China, BMI, Kingfisher Airlines of India e TAP informaram que já haviam feito as trocas.A Agência Europeia, que é quem certifica empresas para voar, admite que poderá transformar a mudança numa exigência. "Sobre a possibilidade de um mau funcionamento do sistema de indicação de velocidade (tubos de pitot ), a agência está analisando os dados com vistas a emitir uma ação mandatória de correção", afirmou a entidade, em comunicado oficial.A Easa emitiu um boletim, alertando os pilotos para que confiem em outros dados, se houver uma pane nos sistemas, e não modifiquem as instruções de operação do voo. Daniel Hoeltgen, porta-voz da entidade, insistiu, porém, que ainda não se sabe a causa do acidente. "Mas temos de considerar todas as possibilidades", disse. Segundo ele, a recomendação não era ainda uma ordem. Mas garantiu que a Easa já trabalha numa nova diretiva. A entidade ainda tentou tranquilizar os pilotos. "A agência confirma que o Airbus A330 e todos os outros aviões da companhia são seguros para operar", disse a Easa, em um comunicado que chegou a todos os pilotos. "Como uma medida de precaução, estamos emitindo um boletim de informação sobre segurança, lembrando operadores dos procedimentos a serem adotados em caso de uma perda de indicadores de velocidade."Nem todas as empresas, porém, serão afetadas pela troca, mesmo tendo na frota o A330. A Lufthansa e a Qantas Airways, por exemplo, afirmam que seus sensores são da empresa Goodrich Corp e não há recomendação de troca nesses casos. O mesmo modelo equipa ainda Singapore Airlines, Cathay Pacific, China Airlines, China Southern, Finnair, Philippines Airlines, Emirates, Etihad e SAS.

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