Agência internacional de risco vê rodízio no Sudeste como ‘provável’

Agência internacional de risco vê rodízio no Sudeste como ‘provável’

Avaliação da Moody’s é de que isso terá impacto econômico nos setores industrial, de construção civil e de bebidas

Luana Pavani, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 21h04

Uma das agências internacionais de avaliação de risco - responsáveis pela análise geral de países como o Brasil, e de grandes empresas com ações em Bolsa, como a Petrobrás - considera provável a decretação de racionamento de água em São Paulo e em outros Estados do Sudeste no próximo mês. Isso terá impacto econômico nos setores industrial, de construção civil e de bebidas, na avaliação da Moody’s. 

De forma geral, um racionamento, seja federal ou estadual, vai piorar o já contraído crescimento econômico do País. Para a Moody’s, é bem provável que as três principais provedoras de serviços públicos que atendem o Sudeste implementem racionamento de água depois do fim da temporada de chuvas, em abril.

No caso da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), um racionamento poderia reduzir o Ebitda em 30% a 40%; para a Copasa (MG), a redução seria de 22% a 45%. O Ebitda é o lucro antes de juros, impostos e depreciação de uma empresa. Já na Cedae (RJ), que não tem rating atribuído pela agência, o reflexo seria um corte de receitas e no fluxo de caixa. 

Procurada, a Sabesp reiterou o que seu presidente, Jerson Kelman, havia dito no dia 25. “As chuvas acima da média para fevereiro contribuíram para afastar a probabilidade de rodízio, mas essa situação não está descartada. Caso seja inevitável, a população será avisada.” 

“O estresse que um racionamento causaria sobre uma empresa individualmente vai depender das operações no Sudeste e quanta água capta de concessionárias públicas”, afirmou a vice-presidente da Moody’s, Barbara Mattos. A petroquímica Braskem, por exemplo, tem por volta de 30% de sua capacidade industrial no Sudeste. A gigante de bebidas Ambev tem 13 de 21 unidades na Região.

Menos afetadas. O risco é moderado nas indústrias de metais e mineração e papel e celulose no Brasil. A Moody’s nota que Suzano Papel e Celulose e a Fibria reduziram sua dependência de fontes de fornecimento público de água e aumentaram a eficiência no uso. As indústrias de siderurgia e proteína, por sua vez, dependem mais fortemente dos rios e lençóis freáticos do que do serviço público de abastecimento de água. 

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