Agências de publicidade adoram divulgar faturamento

Os publicitários adoram divulgar faturamento e quanto mais reluzente melhore também maior o ego de quem o anuncia. Afinal, esse é o atestado dosucesso da agência e da sua força no mercado. O problema é que, empublicidade, existe uma enorme diferença entre o faturamento exibido e oque, de fato, é receita da própria agência. Para ficar no terreno dapropaganda seria aquilo que parece que é, mas não é.No início de dezembro, por exemplo, a EURO RSCG anunciou a criação de uma novaagência no País, além da Carillo, Pastore, que carrega sua sigla francesa.Será comandada pelo criativo, como se classificam aqueles profissionais quecriam a publicidade, Duílio Malfatti. Agência já nascia milionáriaEle afirmou que a nova agência jánasce com faturamento de R$ 40 milhões. Na verdade, essa é a verba totalque a montadora francesa Citroën destinará a todas as suas atividades demarketing durante 2002. Noves fora, a agência deverá abocanhar algo emtorno de 10% a 15% desse valor, o que corresponde a comissões em mídia - aquelas que ganham na intermediação entre a peça publicitária e um veículo decomunicação, contratação de estúdios fotográficos e fonográficos, além dasbeldades que irão emprestar cara e corpo ao produto.É com essa fatia, desprovida de um importante zero após o famoso cifrão,que essa nova agência terá de pagar sede, funcionários, equipamentos e todaa sua infra-estrutura. Descontando tudo isso, chega-se ao lucro líquido,uma lampadinha de baixa potência perto do reluzente faturamento exibido,ainda assim muito mais que muitos setores da economia e sempre comimportante zero a menos.Olivetto ia na contramão do esquemaProfissionais como Washington Olivetto, no entanto, sempre se valeram donúmero bruto do faturamento para mostrar que estão no topo. Quem nãoconhece esse mercado, acredita piamente que as agências de publicidades sãomáquinas de ganhar dinheiro, que faturaram US$ 12 bilhões em 2001, o boloque passou pela publicidade convencional, não levando em contas promoçõesde empresas que usam canal próprio. Mas a realidade, é outra.A distorção do mundo vigoroso da propaganda, porém, não fica apenas nofaturamento. Publicitários adoram festas e fazem muitas delas, que atraemrevistas como "Caras", "Chiques & Famosos", "Quem"e "Gente". Mundo publicitário é recheado de troca de favoresPara garantir o glamour e a qualidade da festa, vale tudo,especialmente permuta. Um cliente ou outro disposto a fornecer a bebida queproduz, porque isso também e marketing, ou uma e outra banqueteira dispostaa ver seu nome nos créditos da festa. Vale também a famosa permuta, que é atroca de um serviço que a empresa faz por outra, de outra empresa, que elanão faz.É essa exuberância, especialmente a dos números, que certamente fizeramalvo de seqüestros publicitários como Roberto Medina (Artplan), Luiz Salles(Salles D´Arcy) e Geraldo Alonso (Norton), mesmo que os três não seguissemtão à risca quanto Washington Olivetto a máxima da publicidade de que o ovoda galinha aparece mais porque esta alardeia o seu feito enquanto o giganteovo do avestruz pode passar desapercebido, pois a ave enfia a cabeça nochão e se esconde.

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