Agenda do pós-crise tem mais política e menos dependência

O escândalo que derrubou Antonio Palocci da Casa Civil despertou na presidente Dilma Rousseff uma outra forma de comandar a equipe. A escolha de Gleisi Hoffmann para substituí-lo deixou claro que o estilo é outro. E no troca-troca de função entre a ex-senadora Ideli Salvatti e Luiz Sérgio nos ministérios das Relações Institucionais e da Pesca, a presidente exibiu um lado desafiante.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2011 | 00h00

De acordo com auxiliares que a acompanharam nos últimos dias, Dilma pareceu revitalizar-se com o episódio que derrubou Palocci, quando enfim escolheu uma ministra por sua vontade e não imposta pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por 157 dias, ela foi refém da equipe montada por Lula.

Dilma começou dar os recados e sinais de que estava mudando já no dia 2. Durante a cerimônia de lançamento do Plano de Superação da Extrema Miséria, afirmou que não tem medo do que vem pela frente. "Os desafios não me imobilizam, os desafios não me tornam refém", afirmou ela, no momento em que Palocci já estava em declínio. E continuou: "Ao contrário, sempre foram eles (os desafios) que me fizeram avançar na vida. E nenhum de nós pode se dar ao luxo de ser refém do medo ou da timidez".

Já no dia 8, ao participar da cerimônia de transmissão de cargo de Palocci para Gleisi Hoffmann, ela voltou ao tema das pressões. "A pressão e as críticas são da regra democrática, e não vão inibir a ação do meu governo. Jamais ficaremos paralisados diante de embates políticos. Sabemos travar o debate e, ao mesmo tempo, governar."

Nos últimos dias, além de tomar a rédea da escolha dos novos ministros em suas mãos, e de não aceitar pressão de nenhum lado - como no caso da substituição de Luiz Sérgio, cujo nome defendido pela maioria do PT era o de Cândido Vaccarezza -, Dilma passou a exigir mais detalhes do que os ministros lhe narram. Se falam de uma estrada, quer saber quantos quilômetros tem, quanto tempo vai durar a obra, o tempo útil da rodovia.

Até a lista de tripulantes de seus voos e das missões precursoras das equipes de segurança ela exige ver. Segundo informação de um auxiliar, ela verifica a relação de nomes, sugere convites e quer saber até qual será o cardápio do lanche ou do almoço.

Nos últimos dias, a presidente passou também a ter uma atividade política muito mais intensa. No dia 31,reuniu-se com prefeitos e governadores das cidades e Estados onde haverá jogos da Copa do Mundo de 2014. Prometeu que se encontrará com eles muitas outras vezes. No dia 1.º, almoçou com senadores do PMDB e falou da necessidade de união; no dia 7, almoçou com a bancada de senadores do PTB, avisando-os de que em breve os chamará de volta para tratar das negociações de cargos. No dia seguinte, teria um almoço com os senadores do PR, mas cancelou o compromisso para cuidar da mudança no ministério. Todas as escolhas de Dilma foram comunicadas ao ex-presidente Lula. Mas em forma de respeito ao padrinho, e não mais como consulta ou pedido de ajuda.

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