Agente carcerário foi ferido em rebelião no Rio

Um agente penitenciário foi ferido com 12 estocadas na rebelião de adolescentes internos no Educandário Santo Expedito, no Complexo de Bangu, iniciada na noite de sábado. Além deste, outros três guardas e um enfermeiro foram feitos reféns depois que a tentativa de fuga de 200 detentos foi frustrada. O motim durou quatro horas e terminou na madrugada deste domingo, depois que o subsecretário Administrativo da Secretaria de Direitos Humanos, Danilo Groff, prometeu levar uma lista com o nome de infratores que estão há mais de um ano sem audiências na 2.ª Vara de Infância e Juventude. A tentativa de fuga ocorreu por volta das 21 horas, no momento em que um enfermeiro atendia garotos das galerias. Os adolescentes, ligados ao Comando Vermelho, renderam o enfermeiro e o agente que estavam com ele, e libertaram os cerca de 200 internos que estavam em oito galerias. Um grupo tomou o telhado do educandário, outros tentaram sair pela portaria da frente do instituto, mas 150 deles seguiram para os alojamentos, onde ficam menores do Terceiro Comando. O agente Leonardo Mataruna, de 31 anos, estava de plantão naquele setor. Ele tentou fechar os portões para que os adolescentes não invadissem os alojamentos, mas foi feito refém. Outros guardas fecharam a outra grade. Os menores, então, amarraram as mãos de Mataruna e passaram a exigir que o portão fosse aberto. Como os agentes não obedeceram, eles passaram a furar o agente com estoques - espécie de faca artesanal. Mataruna recebeu 12 golpes, seis no peito, cinco nas costas e um no pescoço. "Foi horrível. Eles mostravam o sangue e gritavam: ´esse sangue é seu, você vai morrer´", contou. "Só estou aqui hoje porque não desmaiei. Se eu apagasse, estaria morto". Os adolescentes tentaram fugir pelos fundos do educandário, levando Mataruna com eles. Eles deveriam alcançar uma quadra, de onde pulariam o muro, mas foram impedidos por policiais militares, que cercavam o Santo Expedito. "Não atira, não, que a gente está com um funcionário", gritou um dos internos. Nesse momento, o agente foi usado como escudo humano. Durante a correria dos internos dentro do educandário, outros dois agentes penitenciários foram feitos reféns. No telhado do Santo Expedito, adolescentes encurralaram quatro infratores, de quem queriam se vingar. Os garotos acuados tiveram de se jogar de uma altura de seis metros, e pediram ajuda aos agentes, que cercavam o educandário. Um deles teria se ferido.Menores queixam-se de superlotação Com a fuga frustrada e temendo que a polícia invadisse o instituto, os menores aceitaram negociar com o subsecretário Danilo Groff. Eles liberaram Mataruna, que foi atendido no Sanatório Penitenciário. O gaente penitenciário foi transferido ainda de madrugada para o Hospital Estadual Albert Sweitzer e recebeu alta hoje de manhã. Os garotos queixaram-se da superlotação do instituto - o local tem capacidade para 168 menores, mas abriga 321. Nas celas, que deveriam ser individuais por lei, dormem cinco ou seis. Além de se comprometer a encaminhar uma lista com o nome de 100 internos que não têm audiência na 2.ª Vara da Infância e Juventude há mais de um ano, Groff prometeu também não registrar queixa na delegacia sobre o motim, mas o sindicato dos agentes se recusou a aceitar o acordo. "Um agente foi covardemente ferido e isso não pode ficar impune", afirmou o presidente da entidade Josias Bello. O diretor do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase), Sérgio Novo, minimizou a rebelião. "Foi um episódio de garotos querendo falar com o juiz", disse. A tentativa de fuga da madrugada foi a terceira em quatro dias no sistema penitenciário do Rio. Na quarta-feira, 27 pessoas foram feitas reféns no Presídio Serrano Neves (Bangu 3). Os presos estavam armados com submetralhadoras e granadas. No sábado, cinco detentos tentaram escapar da Casa de Custódia Milton Dias Moreira, no Complexo da Frei Caneca. As duas tentativas de fuga foram frustradas.

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