Agente contradiz SuperVia e afirma que teve só 1 dia de treino

Três funcionários confessam ter agredido passageiros e são indiciados por lesão corporal

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Leonardo Leite de Paula, de 23 anos, um dos agentes de controle da SuperVia acusado de agredir passageiros na estação de Madureira, na quarta-feira, teve apenas um dia de treinamento durante quatro meses, sem passar por reciclagem. O depoimento, prestado ontem , contraria a versão anterior da empresa, de que agentes fazem cursos e atualização regularmente.Luiz Guimarães, advogado da MS Serviços, terceirizada contratada, informou que agentes fazem curso de dois dias e reciclagem a cada três meses.A SuperVia confirmou que o curso se resume a oito horas a cada seis meses. Os agentes recebem informações sobre como se relacionar com clientes e controle e acesso nas estações e nos trens. Há também aulas práticas "periodicamente". De Paula e outros dois agentes - Bruno de Castro Santos, de 23 anos, e Rodrigo Balduíno, de 28 - confessaram as agressões e foram indiciados por lesão corporal leve e constrangimento ilegal. A pena pode chegar a um ano de prisão.Balduíno, com nove meses de casa, passou por três reciclagens. Ao titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, Eduardo Freitas, ele disse ter "perdido a cabeça" diante do comportamento dos "surfistas ferroviários". Disse também que tinha "consciência da gravidade dos fatos, mas que não via outra maneira de se impor". A intenção era chicotear o trem. Santos é o agente que aparece desferindo um soco em um passageiro. Ele disse que reagiu ao ser chamado de "ladrão" e ser atingido por cuspe. A MS Serviços esclareceu que foram demitidos três funcionários, e não quatro, porque se percebeu que esse agente tentava apartar a briga. Ontem, o delegado Freitas identificou o agente Jorge Teles como o homem à paisana que participa das agressões. Ele prestará depoimento na próxima semana. Outros três agentes falaram como testemunhas. Os dois policiais militares que estavam na plataforma não compareceram.O juiz Rodrigo José Meano Brito, da 6ª Vara Empresarial, determinou que a SuperVia seja multada em R$ 20 mil cada vez que seus trens circularem com as portas abertas. Em 60 dias, a empresa deve instalar sistema para impedir a abertura pelos passageiros, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

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