Agentes criam ''hino da greve''

?Pra não Dizer Que Não Falei Das Flores? é introdução

Cláudio Dias, ARARAQUARA, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

Policiais civis de São Paulo postaram no site de uma das entidades de classe um vídeo com um áudio anônimo batizado de "hino da greve". O som, gravado de forma artesanal e com apenas duas frases, tem apenas 52 segundos e teria sido montado pelos próprios policiais como forma de protesto. A categoria permanece em greve por tempo indeterminado. Uma nova reunião foi marcada para quinta-feira e, na pauta de discussões, não existe nada definido. Ouça o hino da greve dos policiais civis de São Paulo A cronologia da greve, a crise e o que fazer O hino é quase um jingle e começa com uma introdução que lembra a canção "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores, de Geraldo Vandré. A letra diz assim: "....contra o arrocho salarial, policial quer fazer greve geral. É opressão e covardia, é repressão e tirania, contra o arrocho salarial, policial quer fazer greve geral!" No vídeo postado aparece no fundo várias imagens do confronto da Polícia Civil com a Polícia Militar e frases como "Pior Salário do Brasil". O vídeo termina com uma mensagem do autor: "Autoria: nunca saberão (senão tomarei um bonde)."Para José Martins Leal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (Sindpesp), o vídeo foi trazido pelos policiais e postado em forma de protesto. "O autor é anônimo e acho que isso não atrapalha nada porque a letra não compromete ninguém", diz o sindicalista, que aguarda o fim do movimento mas teme que a paralisação se arraste até 2009.A internet ainda traz outras manifestações. No site de relacionamentos Orkut, a comunidade "Greve-Basta-Polícia Civil-SP", por exemplo, foi criada um dia depois do início da paralisação. Segundo a descrição, tem o objetivo de "trocar idéias, colocar informações e separar os policiais civis dos ?pelegos?". Com origem em Bauru, no interior do Estado, a comunidade reúne 98 membros e o conteúdo é aberto. Nos fóruns de discussão, os internautas comentam notícias sobre a greve divulgadas na mídia, colocam fotos das manifestações e se organizam para passeatas. Na maioria das demais comunidades, porém, o conteúdo é restrito aos membros e se exige uma análise prévia do perfil do internauta para seu ingresso. Algumas até mesmo são moderadas por policiais civis paulistas. Há alguns grupos com referências às diversas categorias de policiais: investigadores, delegados, agentes, escrivães e carcereiros. COLABOROU MÔNICA CARDOSO

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