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Agentes filmam Marcola e ameaças de presidiários

O governador Cláudio Lembo (PFL) prometeu neste sábado abrir sindicância para apurar como agentes penitenciários entraram na segunda-feira com uma câmera na penitenciária de Presidente Bernardes, SP, e gravaram a movimentação de presos, entre eles o líder do Primeiro Comando da Capital, Marcos Camacho, o Marcola.A transcrição da fita foi publicada pela "revista Época", segundo a qual os agentes queriam provas de que sofrem hostilidades dos presos, para contrapor a eventuais acusações de maus-tratos.Num dos diálogos, Marcola afirma ter recebido informações de que detentos haviam sido torturados na penitenciária de Presidente Venceslau. Um colega de cela do líder do PCC diz a um agente, então, que os funcionários têm família, insinuando que eles poderiam sofrer represálias. "Não compensa. Você sabe disso. Para vocês, não compensa. Você acredita no que você faz?", pergunta Marcola. Depois, outra pergunta, carregada de ironia: "Você veio pra me matar?"A gravação mostra outros detentos batendo nas portas de aço enquanto xingam e ameaçam matar parentes de agentes que cruzam o corredor que leva às celas. "Isto não vai ficar assim, a gente se tromba", afirma um deles.A seguir, os carcereiros tentam convencer o detento da cela 141 a permitir que ela seja revistada. Pedem ao preso que estique o braço pelo vão da porta para ser algemado. Mas são surpreendidos por um pano em chamas, atirado pelo presidiário. O fogo se espalha pela cela, mas o preso continua irredutível. Só se acalma depois que os agentes acionam extintores.Outra imagem mostra um detento algemado na cela 108. "Se vocês levarem meus livros, vou arrumar confusão. Vão ter de matar." Os agentes, com medo, ficam do lado de fora do cubículo. "Se entrar, vai tomar bicuda", berra o preso.Durante a revista, outro condenado ameaça um rival. "Tô cheio de HIV, mano. Se pegar, meto a faca."Apesar do clima de tensão revelado pelas gravações, Lembo sugeriu que os integrantes da CPI do Tráfico de Armas viajem para Bernardes para tomar o depoimento de Marcola - eles queriam que o líder do PCC fosse transferido para a capital para ser ouvido."Minha hipótese, que não sei se será vitoriosa, é de que os deputados federais se desloquem a Venceslau. Acho mais prático." Segundo ele, o Estado já ofereceu aos deputados um avião para levá-los ao interior.

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