Agentes param em protesto, governo diz que situação é normal

A morte do quarto agente penitenciário em menos de cinco dias, no Estado de São Paulo, deixou em alerta a categoria, que critica o governo pela falta de uma ação direta para evitar os ataques e iniciou uma nova paralisação nesta segunda-feira, 3. Para a Secretaria da Administração Penitenciária, a situação é normal nas 144 unidades prisionais do Estado.Representantes do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) reúnem-se à tarde com o secretário de Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, para discutir a crise causada pelos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) aos agentes. Por enquanto, os agentes estão cumprindo as paralisações por 24 horas para cada colega morto. A orientação é de que eles mantenham apenas as atividades de alimentação e de atendimento de emergências. "Infelizmente, é a quarta vez que paramos desde a semana passada", lamentou o secretário geral do Sindasp Rozalvo José da Silva. "Estamos fazendo a paralisação para não morrer", disse. De acordo com levantamento parcial do Sindasp, às 12 horas desta segunda-feira, 3, a paralisação em protesto contra os assassinatos de agentes atingia cerca de 50% das 144 unidades prisionais do Estado. A adesão, segundo Silva, é maior no oeste paulista, onde 17 das 19 penitenciárias tinham aderido à greve. Para o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional (Sifuspesp), a greve atinge cerca de 30 unidades.Os agentes têm sito orientados pelo Sindasp a não ficarem nas proximidades dos presídios quando não estiverem trabalhando. "Se nada for feito, nós vamos parar por falta de condições mínimas de trabalho. Precisamos de garantia da vida", disse Silva. "Não tem saída. Estamos parando para não continuar morrendo".MortesNa noite deste domingo, 2, Otacílio do Couto, de 40 anos, que trabalhava no Centro de Detenção Provisória II do Belém, zona leste da capital, foi assassinado a caminho do serviço. Ele foi atacado enquanto conversava em um telefone público na região do Jaçanã, por volta das 20 horas. Mesmo levado ao pronto-socorro do Hospital São Luiz Gonzaga, no mesmo bairro, Otacílio não resistiu. Um outro ataque foi registrado neste domingo. O agente penitenciário Joselito Francisco da Silva foi alvo de atiradores por volta das 21 horas na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. O veículo de Silva - que trabalha no CDP de Guarulhos - foi atingido por vários tiros. O agente, no entanto, saiu ileso e decidiu não registrar a ocorrência.Na manhã do último sábado, o agente penitenciário Eduardo Rodrigues, de 41 anos, foi assassinado a tiros por dois criminosos no bairro Jardim Arpoador, zona oeste da capital paulista. Ele levou quatro tiros à queima roupa dentro de uma loja, onde havia levado sua TV para consertar.Na última quinta-feira, o carcereiro Gilmar Francisco da Silva, de 40 anos, foi assassinado com sete tiros em frente a sua casa, no Jaraguá, zona oeste da capital. Segundo seus parentes, há quatro meses o agente penitenciário, que trabalhava no Cadeião Feminino de Pinheiros, vinha recebendo ameaças constantes de seus vizinhos devido a uma discussão com um grupo de usuários de drogas que viviam em sua rua. A Polícia Civil acredita que o PCC não esteja por trás de sua morte.Um dia antes, o carcereiro Nilton Celestino, de 41 anos, foi executado com dez tiros por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele trabalhava no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Além dos quatro agentes mortos até o momento, outros nove foram mortos durante os ataques promovidos pelo PCC em maio.Situação calamitosaSilva descreveu como calamitosa a situação do sistema prisional paulista, que chamou de "barril de pólvora". Para ele, os presos se voltaram para os agentes porque eles são o ponto mais frágil do sistema. "Começaram a nos matar para mostrar para a sociedade o poder que eles têm".Clima tensoO clima também continua tenso no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, onde os presos continuam a chutar as portas de aço das celas individuais quando ouvem algum tipo de barulho no corredor. A Polícia Militar mantêm viaturas na porta do presídio e os banhos de sol foram suspensos por dez dias. Este é o terceiro tumulto em apenas uma semana no presídio de segurança máxima onde está detido Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola" líder máximo do Primeiro Comando da Capital. CaçadaO Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) denunciou no domingo que a categoria está sendo vítima de uma "caçada" promovida pelo crime organizado. "Os agentes estão sendo caçados como a raposa daqueles filmes ingleses", comparou o assessor da diretoria do Sifuspesp, Danilo Bonfim.Segundo Bonfim, o clima é de insegurança total entre os servidores e há risco de paralisação do sistema prisional. Porém, os funcionários ainda sofrem pressões dos diretores das unidades prisionais para que não entrem em greve. A diretoria do sindicato se reunirá nesta segunda-feira para decidir quais serão os próximos passos diante do assassinato dos agentes.O diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo, Ivan Teixeira, disse que os trabalhadores suspenderam as atividades em mais de 40 unidades. Em entrevista concedida à Rádio CBN, o diretor informou que os agentes entraram para trabalhar, mas suspenderam os principais serviços aos presos, como, por exemplo, banho de sol, recebimento de cartas e de visitas.

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