Agentes penitenciários fazem manifestação no Rio

A crise no sistema penitenciário do Estado do Rio se agrava. Depois de sete rebeliões em presídios em apenas uma semana, o diretor e o vice-diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) colocaram o cargo à disposição.Nesta quarta-feira, agentes fizeram manifestação em frente ao Palácio Guanabara, reivindicando melhores salários, realização de concurso público e melhoria das condições de trabalho.Eles foram recebidos pelo governador Anthony Garotinho. Os agentes saíram satisfeitos da reunião com o governador. Garotinho disse que vai enviar mensagem à Assembléia Legislativa (Alerj), para realização imediata de provas, com previsão de contratação de mil agentes ? embora os sindicalistas defendam a criação de 3,2 mil novas vagas.O governador afirmou que os salários atrasados serão pagos até o dia 21 de dezembro e se comprometeu a analisar o impacto financeiro nos cofres públicos do pagamento do triênio.A recolocação das portas das celas das unidades Bangu 3 e 4, que foram arrancadas pelos presos numa rebelião há 6 meses, também foi prometida.?Finalmente fomos ouvidos?, disse o presidente do sindicato da categoria, Josias Alves Bello, ao fim do encontro.O secretário de Direitos e Humanos e Sistema Penitenciário, João Luiz Duboc Pinaud, disse que ainda não decidiu se os diretores do Desipe Manoel Pedro da Silva e Renildo Lordelo deixarão seus cargos. Ele negou que haja crise no setor.?Estamos lidando com um sistema complexo, mas há um clima de transformação. A superlotação dos presídios é uma realidade, e o número de agentes é insuficiente. Mas estamos prontos para atender às reivindicação da categoria?, afirmou Pinaud.AgressãoNesta quarta-feira, segundo os agentes, detentos do presídio Bangu 1, na zona oeste do Rio, onde vivem os bandidos mais perigosos do Estado, agrediram três agentes durante o banho de sol. Os agressores seriam traficantes de drogas.?Um deles estava fumando maconha, e, quando o agente foi repreendê-lo, chamou dois outros em sua defesa?, afirmou Rodolfo Calazans, diretor do sindicato da categoria.Na noite desta terça-feira, um túnel foi encontrado na Casa de Custódia Jorge Santana, também em Bangu. Segundo a Polícia Militar, que administra a casa de custódia, nenhum preso fugiu pelo túnel, nem houve rebelião.A PM não soube informar o alcance o tamanho da escavação. O deputado estadual Chico Alencar, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, acredita que a postura do Estado em relação à população carcerária deve mudar ? apesar de reconhecer avanços durante a gestão de Pinaud.?No Brasil, o prisioneiro é visto como um entulho humano. Por isso, as rebeliões são uma tendência crescente. A pessoa maltratada se torna ainda mais violenta. A crise é permanente?, afirmou o parlamentar.

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