Agentes penitenciários paralisam atividades em Alagoas

30% dos agentes farão a distribuição de comida e a segurança do presídio; presos não terão banho de sol

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2008 | 08h56

Cerca de 800 agentes penitenciários de Alagoas paralisaram as atividades e realizam, na manhã desta quarta-feira, 20, um protesto no portão de entrada do sistema penitenciário, no bairro do Tabuleiro dos Martins, na periferia de Maceió. Com o início da greve, as visitas aos presos foram suspensas.   A paralisação compromete a segurança interna da Casa de Detenção (o Cadeião) e dos presídios Cirydião Durval, Santa Luzia (feminino) e Baldomero Cavalcanti. No complexo penitenciário estão ainda o Manicômio Judiciário e o Hospital de Custódia (que está construído, com equipamentos comprados, mas não funciona, sequer foi inaugurado).   A greve dos agentes penitenciários é mais um capítulo da crise de segurança que Alagoas vive. Em 12 de fevereiro, o general Edson Sá Rocha pediu demissão do cargo de secretário de Defesa Social de Alagoas. Sá Rocha vinha sofrendo uma série de críticas da oposição e até de aliados do governo por causa da paralisação de mais de seis meses de agentes da polícia civil do Estado.   Nem a direção do sistema prisional, nem a Secretaria Estadual de Ressocialização, responsáveis pela administração dos presídios de Alagoas, se manifestaram sobre a greve dos agentes penitenciários, mas devem anunciar a qualquer momento medidas alternativas para substituir os grevistas.   Segundo o presidente da Associação dos Agentes Penitenciários, Jarbas Souza, a categoria paralisou as atividades, em protesto contra as "injustiças trabalhistas" praticadas pelo governo do Estado. "Estamos reivindicando o pagamento do adicional noturno, como determina a Lei 6.906; melhores condições de trabalho e reajuste salarial", afirmou Souza.   "Os agentes estão com os salários defasados, são obrigados a fazerem a segurança externa dos presídios e trabalham sem equipamentos de segurança, como coletes e armas com balas de borracha", relatou o presidente da Associação.   Jarbas Souza disse ainda que durante a greve, 30% dos agentes penitenciário irão fazer a distribuição de comida e a segurança interna do presídio, mas com os presos em cela, sem banho de sol e atividades recreativas. O presidente da Associação alerta que o clima no sistema é tenso e que vários agentes penitenciários estão ameaçados de morte.

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