Agentes permitem ação de traficantes em Bangu 1, diz delegado

Os depoimentos do diretor afastado do presídio Bangu 1, Durval Pereira de Melo, e do diretor-geral do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), Edson de Oliveira Rocha, sobre a operação realizada pelo Ministério Público em Bangu 1, reforçaram a convicção do delegado Irineu Barroso, titular da 34.ª DP (Bangu), de que o principal problema na unidade é a conivência de agentes penitenciários com os traficantes. "Se houver revista, não entra uma agulha no presídio. É porque tem conivência e corrupção", disse o policial.Na manhã de terça-feira, promotores realizaram uma revista no presídio, que durou cinco horas. Com o apoio de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, eles apreenderam sete celulares, carregadores, dinheiro e drogas, entre outros materiais. Dentro da cadeia, a quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, negociava a compra e a venda de drogas e armas, inclusive de um míssil Stinger, do mesmo tipo usado pela rede terrorista Al-Qaeda.Até agora ninguém foi indiciado, mas para o delegado, já está caracterizada negligência por parte do diretor do presídio. Por enquanto, tanto Melo como Rocha são apenas testemunhas. O policial, entretanto, não descarta a possibilidade de que ambos sejam indiciados por formação de quadrilha, corrupção e tráfico de drogas durante o inquérito. Amanhã, Barroso se encontra com os promotores que investigam o caso. Ele ainda vai ouvir os depoimentos dos 98 funcionários que trabalham em Bangu 1. O diretor do Desipe chegou à 34.ª DP pouco depois das 14 horas de hoje. "Não discuto que haja conivência ou negligência. Tem que haver", disse ele. No depoimento, Rocha argumentou ainda que há revistas malfeitas porque os agentes penitenciários, que só podem entrar nas galerias desarmados, são ameaçados de morte pelos presos. O diretor do presídio compareceu à delegacia na noite de terça-feira. Em seu depoimento, referindo-se aos agentes penitenciários, ele admite que toda categoria tem "maus elementos" e que são essas pessoas que permitem a entrada ilegal de objetos. Ele reclama também do mau estado dos detectores de metais.Rocha confirmou o afastamento do diretor do presídio e dos 12 agentes que estavam de plantão na terça-feira, mas ressalvou que Melo é de sua inteira confiança. Sobre os demais funcionários, disse ser difícil afastá-los pois não teria pessoal para substituí-los. "O Desipe tem déficit de 1,5 mil funcionários", afirmou. De acordo com ele, dos cinco telefones encontrados na custódia, quatro seriam apenas carcaças. Os aparelhos, segundo o diretor do Desipe, seriam entregues à polícia, o que ainda não teria ocorrido por uma "falha de comunicação".Em seu depoimento, Melo afirmou que celulares e drogas entram escondidos nas vaginas das mulheres dos presos. Segundo o diretor do presídio, um dos telefones encontrados na custódia havia sido apreendido de um preso identificado apenas como Cágado. Já os R$ 1,1 mil, seriam levados para os presos por visitantes. Como os detentos não podem ficar com o dinheiro, ele fica na custódia e é usado quando os presidiários solicitam a compra de algum produto, como sabonetes, por exemplo.

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