Agentes planejam contra-ataque e reforçam greve

Revoltados com os assassinatos de agentes penitenciários no Estado de São Paulo ordenados pelo Primeiro Comando da Capital, os funcionários dizem que irão reagir à altura, caso as mortes não parem, e ameaçam envenenar a comida dos presos.O diretor jurídico do sindicato, Nílson de Oliveira, confirmou que a ameaça de envenenamento está ecoando entre os funcionários dos presídios desde o final da semana passada. "A categoria está ameaçada, acuada. E um animal acuado é muito perigoso", disse Oliveira. Desde o dia 12 de maio, início dos ataques, 13 funcionários de presídios e cadeias foram executados pelo crime organizado.Segundo Oliveira, o sindicato repudia a idéia da vingança, mas não tem controle das ações dos 22 mil funcionários do Estado, dos quais apenas 7 mil são sindicalizados. Um funcionário que pediu anonimato disse que uma equipe de agentes chegou a se reunir com presos da Penitenciária 1 de Presidente Venceslau, a 635 quilômetros de São Paulo, na sexta-feira passada, para comunicá-los da decisão dos agentes. "Antes, era uma conversa isolada. Mas agora ela ganhou adesão da maioria dos funcionários da nossa região (oeste), porque lidamos diretamente com os líderes do PCC e somos os mais ameaçados", disse o servidor, de 40 anos, há 20 no sistema. Para se proteger, ele comprou um revólver 38 por R$ 200 no mercado negro. A Assessoria de Imprensa do sindicato estima que 30% dos funcionários andem armados em razão dos ataques. Na região oeste, a Polícia Militar acompanha o itinerário do ônibus que leva os agentes para os presídios. Em outras regiões, os funcionários reclamam da falta de proteção.O secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, disse que está trabalhando num projeto de lei para permitir que os agentes penitenciários andem armados fora do horário de trabalho. A medida, segundo ele, tem o aval do governador de São Paulo, Claudio Lembo. Se aprovada pela Assembléia, os servidores devem ser capacitados pela PM - com exceção dos guardas das muralhas, que usam armas, os demais não têm treinamento para isso. Perguntado sobre a eficácia da medida, respondeu: "Pelo menos eles poderão ter, em tese, condição de reagir". Segundo ele, está em fase final concurso para mil vagas de agentes penitenciários e 933 de guardas de muralhas.GreveNesta segunda-feira, a reação dos agentes teve início com a paralisação das atividades. Oficialmente, a SAP informou, em nota, que a paralisação parcial atingiu 30 presídios e Centros de Detenção Provisória (CDPs), sendo 14 na Grande São Paulo, 12 no oeste, 3 na região noroeste e 1 no Vale do Paraíba. Na avaliação do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária, houve adesão em cerca de 80% das 144 unidades prisionais do Estado. Serviços básicos de alimentação e saúde funcionaram. Banho de sol, entrega de "jumbos" (material enviado por familiares) e de correspondência, visitas de advogados, entre outros serviços aos presos, foram paralisados. A situação deve prosseguir até o final de semana. A paralisação do atendimento aos presos continua amanhã. Segundo o diretor do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Luís da Silva Filho, o protesto deve prosseguir até o final de semana e afetará a visita dos presos.O secretário-geral do Sindicato dos Agentes de segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), José Rosalvo da Silva, disse que o protesto será mantido amanhã, por ser o 7º dia da morte do agente Nilton Celestino, de 41 anos, a primeira vítima da retomada dos ataques.

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