Agentes podem ter ajudado presos de Ponte Nova

A denúncia foi feita por duas mulheres, irmãs de presos que morreram durante o motim

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

24 Agosto 2007 | 18h55

A hipótese de facilitação de entrada de armas na cadeia pública de Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, e de colaboração de agentes policiais para o ataque que resultou na morte de 25 presos por um grupo rival foi levantada nesta sexta-feira, 24, durante depoimentos colhidos por uma delegação da CPI do Sistema Carcerário. A denúncia foi feita por duas mulheres, irmãs de presos assassinados.O presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PR-ES), destacou o depoimento do policial militar Dueber Castro Silva. Ele estava de plantão numa guarita e teria sido um dos primeiros a chegar às dependências da cadeia durante o início do motim, na madrugada de ontem. O policial militar contou que ouviu mais gritos de socorro vindos da cela oito, onde as vítimas foram acuadas e os corpos encontrados carbonizados posteriormente, e mais de 20 disparos de arma de fogo. "Pela quantidade de tiros que ele ouviu pode ter sido utilizado mais de uma arma. Com isso, muda um pouco a investigação inicial", disse o deputado. "Aponta para a possibilidade de alguém ter facilitado a entrada das armas para que esses crimes fossem cometidos". Conforme o presidente da CPI, há indícios de facilitação de entrada até de combustível na cadeia para que aquele fogo propagasse de forma tão rápida. "Com certeza algum elemento que pudesse ajudar na combustão foi usado", observou.O governo mineiro reagiu e o chefe da Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro, determinou hoje que dois delegados da Corregedoria-Geral assumissem a investigação inicialmente conduzidas pelo delegado regional Luiz Carlos Chartouni e o diretor da cadeia, Wanderlei Miranda.

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