Agnelo comanda no DF o mais lento processo de transição

Em busca de soluções para o caos na saúde e as greves de servidores, eleito não anunciou ainda nenhum secretário

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

Eleito para administrar uma terra arrasada a partir do escândalo do "mensalão do DEM", o qual levou um governador à prisão, o petista Agnelo Queiroz comanda hoje o processo mais lento de transição de governo no País. Não há um único secretário escolhido e anunciado no Distrito Federal, onde a saúde entrou em colapso, as greves de funcionários deixam as vias de acesso à Esplanada dos Ministérios repletas de buracos e o mato ameaça tomar conta dos jardins de Burle Marx.

Diante do acúmulo de problemas, Agnelo consumiu os últimos 30 dias levantando dados da administração local e batendo à porta de alguns ministérios, como o da Saúde, para resolvê-los. Só nesta semana começou a fazer as primeiras consultas para compor a equipe com 12 partidos aliados. Não bastasse a disputa entre o PT e o PMDB do vice-governador Tadeu Filippelli, a pressão por cargos vem de todo lado. Até o ex-ministro José Dirceu deverá emplacar apadrinhados no governo do DF.

Nas conversas iniciais, Agnelo já acertou com os partidos da aliança que terá sua cota pessoal no governo em que administrará um Orçamento anual de R$ 25 bilhões. É nela que pode ser incluído o braço direito de José Dirceu quando este comandava a Casa Civil, Swendenberger Barbosa. "Berge", como petista é conhecido, está cotado para a Secretaria de Governo, mas a regional do PT já deixou claro que a resistência será grande. Dirceu também está bancando a indicação de Nilson Rodrigues para a Secretaria de Cultura. Rodrigues já foi diretor-geral da Agência Nacional de Cinema (Ancine), apadrinhado por Dirceu.

Saúde. Além de indicar o secretário de Governo, Agnelo faz questão de ter alguém de sua confiança pessoal na Fazenda, na Segurança Pública e na Comunicação, cuidando da publicidade do governo. Como o caos na saúde era uma das principais preocupações do eleitorado, que amarga a falta de leitos e de médicos e uma superbactéria que está matando brasilienses nos hospitais, o próprio governador vai acumular a função de secretário nos primeiros seis meses de governo.

No jogo da partilha do poder, o primeiro movimento do PMDB é para comandar as Secretarias de Agricultura e de Obras, de olho nos milhões que serão gastos na infraestrutura da Copa do Mundo de 2014. Para não trombar com o aliado no primeiro embate, os petistas pedem as Secretarias de Habitação, Justiça e Cidadania, Cultura e Transporte.

Briga certa haverá com o PSB, que, segundo um dirigente petista, está pedindo um pacote que não vai levar: Agricultura, Ciência e Tecnologia e Turismo.

O PDT reivindica Trabalho e fala também em Educação, que o PT faz questão de comandar. Mais briga. O PTB do senador Gim Argello já controla boa parte do Banco de Brasília (BRB) e gostaria de fazer o presidente da instituição no governo Agnelo. A conferir.

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